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Mundo

Salman Rushdie não quer mais viver escondido, 30 anos após sentença islâmica que o condenou à morte

media Salman Rushdie em Paris em 10 de setembro de 2018. Joël Saget/AFP

Em 14 de fevereiro de 1989 o Aiatolá Khomeini, líder supremo da revolução islâmica do Irã, condenou à morte o escritor britânico Salman Rushdie por causa de um livro do autor, acusado de ridicularizar o Corão e Maomé: "Os Versos Satânicos".

Em uma fatwa (decreto religioso), o imã pediu que "todos os muçulmanos zelosos" tentassem executar o autor do livro, a editora e "aqueles que conhecem o conteúdo" do romance, "de forma que ninguém possa insultar as santidades islâmicas". Uma recompensa alta foi oferecida pela cabeça do escritor na ocasião.

Rushdie começou então a ser escoltado por guarda-costas. Nos primeiros seis meses, ele mudou de casa nada menos que 56 vezes. "Eu não quero mais viver escondido" repete Salman Rushdie, ao se lembrar da fatwa que paira sobre seus ombros há 30 anos.

Em visita à França no ano passado, Rushdie explicou: "Trinta anos se passaram, está tudo bem agora. Eu tinha 41 anos na época, agora tenho 71. Nós vivemos em um mundo onde existem muitas outras razões para ter medo, outras pessoas para matar", disse o escritor.

De Nova York, onde vive há 20 anos (o escritor nasceu em Bombaim, na Índia, em uma família muçulmana, mas viveu a maior parte de sua vida no Reino Unido, e tornou-se um cidadão dos EUA em 2016), ele afirmou que leva uma "vida normal" e pega o metrô "como todo mundo".

Em "Os Versos Satânicos", Rushdie relata as aventuras de dois índios, que morrem em um ataque terrorista em seu avião. Graças à imaginação do escritor, um mestre no campo do realismo mágico, eles chegam com segurança em uma praia do litoral inglês e se misturam com os imigrantes em Londres, nos anos 1980.

"Enforquem Rushdie!"

É acima de tudo um romance sobre o desenraizamento do imigrante. "De todas as ironias, o triste é ter trabalhado por cinco anos para dar voz (...) para a cultura da imigração (...) e ver o meu livro queimado, muitas vezes sem ter sido lido, pelas próprias pessoas sobre as quais ele fala ", escreveu o escritor.

Desde a publicação do livro, uma indignação generalizada se espalha no mundo muçulmano, onde se evoca a “blasfêmia” e a “apostasia”.

O segundo capítulo do livro é considerado escandaloso pelos muçulmanos radicais. Rushdie descreve cenas em que o personagem vagamente ridículo do profeta Mahound - referindo-se ao fundador do Islã, Maomé - abusado por Satanás, prega a crença em outros deuses além de Alá, antes de reconhecer seu erro. Na Índia, em outubro, o primeiro-ministro Rajiv Gandhi proibiu o livro, na esperança de recuperar votos muçulmanos para futuras eleições. Cerca de vinte países fizeram o mesmo.

Em janeiro de 1989, diversas cópias foram queimadas em um local público em Bradford, no norte da Inglaterra. Sua publicação nos Estados Unidos desencadeou ainda mais paixões. Grandes autores como Susan Sontag ou Tom Wolfe realizaram leituras públicas. No Paquistão, milhares de pessoas atacaram o Centro Cultural americano em Islamabad, gritando: "Cães americanos", "Enforquem Rushdie".

Londres e Teerã romperam relações diplomáticas por quase dois anos. Em 2 de março de 1989, 700 intelectuais de todo o mundo apoiaram o direito de Rushdie à liberdade de expressão. O Aiatolá Khomeini morreu em junho do mesmo ano. Em 1991, quando Rushdie voltou a reaparecer em público, seu tradutor japonês foi esfaqueado até a morte e seus tradutores italiano e norueguês foram atacados.

Dois anos mais tarde, 37 pessoas morreram quando um hotel na Turquia foi queimado pelos manifestantes contra o tradutor turco dos “Versos Satânicos”, que sobrevive. Em 1998, o governo iraniano do presidente reformista Mohammad Khatami decide que o Irã não deverá implementar o decreto religioso contra o escritor. Mas, em 2005, o líder supremo extremista Ali Khamenei reafirma que matar Rushdie continua sendo autorizado pelo Islã.

Quando o escritor, que foi objeto de inúmeras tentativas de assassinato, foi nomeado cavaleiro pela rainha da Inglaterra em 2007, o Irã denunciou um ato de "islamofobia" e extremistas muçulmanos, especialmente no Paquistão, ficam novamente furiosos. Em 2016, vários meios de comunicação iranianos, em meio a tensões dentro do regime entre ortodoxos e reformistas, adicionam US$ 600.000 para a recompensa oferecida pela cabeça do escritor, elevando seu total para mais de US$ 3 milhões.

Radicado há muito tempo em Nova York, Salman Rushdie, 71, leva uma vida quase normal, continuando a defender, em seus livros, a sátira e a irreverência.

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