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Mundo

‘Blackface’ da Gucci levanta questão do politicamente correto na moda

media Imagem da blusa polêmica foi suprimina do site de venda online da Gucci e peças foram retiradas das lojas Captura de tela/Twitter

A marca de luxo italiana Gucci vinha sendo acusada de racismo desde o lançamento de uma blusa de gola alta reproduzindo uma grande boca vermelha. Diante das críticas, a grife decidiu nesta quinta-feira (7) retirar a peça polêmica de suas lojas e se desculpou nas redes sociais.

Quando a marca Gucci teve a ideia de lançar em sua coleção deste inverno (no hemisfério norte) uma blusa preta decorada com uma fenda vermelha em sua gola alta, não imaginava que o detalhe iria causar tanta polêmica. Ao ser desenrolada, a gola em questão cobre uma parte do rosto, deixando apenas a boca aparente através da fenda, reproduzindo um efeito de lábios carnudos que suscitou reações imediatas nas redes sociais. Os internautas viram no suéter uma referência ao chamado “blackface”, uma representação caricatural e racista dos negros.

Segundo a marca, a blusa, vendida por US$ 890, “se inspirava em máscaras de esqui vintage”. Mas diante das críticas, a direção preferiu não perder tempo com explicações e decidiu agir rapidamente. "Gucci pede desculpas pela ofensa causada por este suéter. Confirmamos que o produto foi imediatamente retirado de todas as nossas lojas e do nosso site online", escreveu a grife em sua conta no Twitter.

Estilo neobarroco e muita ironia

Desde a chegada do diretor artístico Alessandro Michele em 2015, a Gucci, que pertence ao grupo de luxo Kering (dona de marcas como Saint Laurent, Balenciaga ou Alexander Mcqueen), investe em uma moda chamada por uns de neobarroca, com peças repletas de estampas, bordados, xadrezes e listras, além de uma boa dose de ironia. A fórmula tem dado certo, pois a marca viu suas vendas explodirem nos últimos anos e se tornou a locomotiva do grupo – se aproximando inclusive de sua principal concorrente, a francesa Louis Vuitton.

Parte do sucesso da Gucci vem da mobilização dos millenials nas redes sociais, que aderem ao estilo carregado da grife e compartilham as fotos produzidas pela marca.

Muita dessa nova iconografia adotada pela marca, inclusive, se inspira da cultura africana. A campanha de 2017 da grife, por exemplo, se espelha no trabalho do fotógrafo malinês Malik Sidibé, enquanto algumas coleções parecem saídas diretamente do guarda-roupas dos sapeurs, os dândis vindos principalmente do Congo, conhecidos por passear pelas ruas com um look mais que caprichado.

As características visuais “instagramáveis” das coleções da Gucci ajudaram a construir em pouco tempo a reputação da nova fase da Gucci. Mas esse fenômeno viral também corre o risco de ser arranhada rapidamente em caso de uma polêmica como a da blusa que faria referência ao “blackface”. O que explica a reação imediata da marca.

Ironia cada vez mais vigiada

Esse não é o primeiro escândalo do gênero envolvendo uma marca de luxo italiana.   Em dezembro passado, a Prada retirou de uma de suas lojas de Nova York bonequinhos negros com grandes lábios vermelhos. Já a Dolce & Gabbana foi alfinetada nas redes sociais em novembro ao divulgar uma campanha publicitária na qual uma modelo asiática tentava comer pizza ou espaguete com os tradicionais hashi, os pauzinhos usados como talheres. Os diretores artísticos da marca se desculparam, mas a grife saiu do episódio como a imagem estremecida.

O diretor artístico da Gucci também não esperou muito após o escândalo do “blackface” nas blusas de gola alta. “Eu gosto de todas as cores”, disse Alessandro Michele em sua conta no Instagram, numa tentativa de abafar o caso o mais rapidamente possível.

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🖤I love all colors 🖤

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A ironia sempre fez parte do mundo da moda, mas de uns tempos para cá também é alvo do politicamente correto e muitos assuntos não são mais tolerados nas passarelas. Se o francês Yves Saint Laurent era aclamado com coleções de inspiração russa ou africana nos anos 1970, apresentadas como uma homenagem, Marc Jacobs foi acusado de apropriação cultural ao colocar modelos usando bantu knots em um desfile de 2015 e dreadlocks coloridos na coleção do ano seguinte.

Os exemplos se multiplicam e, diante de um novo tipo de fashion police e dos riscos que representam a viralidade de uma imagem negativa nas redes sociais, os estilistas são cada vez mais cuidadosos com as fontes de inspiração que escolhem.

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