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Mundo

Entenda porque países ocidentais se sentem ameaçados pela Huawei

media Onipresente da Huawei preocupa Estados Unidos, mas também vários países europeus. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration

O vice-primeiro-ministro chinês, Lio He, desembarcou esta semana em Washington para retomar as negociações com os Estados Unidos sobre as relações comerciais entre os dois países. A visita acontece em um momento de tensão reforçado pelas acusações visando o grupo chinês Huawei. O gigante das telecomunicações encarna, aos olhos dos norte-americanos, uma ameaça chinesa à supremacia dos Estados Unidos. Mas a ação do grupo também suscita preocupação em diversos países ocidentais.

O representante de Pequim chegou nos Estados Unidos logo após o Departamento de Justiça norte-americana ter anunciado 13 acusações contra a empresa chinesa e sua diretora financeira, Meng Wanzhou. A Huawei está sendo processada por suposta violação às sanções de Washington contra o Irã.

A China afirma que as acusações não têm fundamento. O governo chinês denuncia o que qualifica de “manipulação política” de Washington. “Os Estados Unidos utilizam o poder do Estado para tirar a credibilidade e atacar algumas empresas chinesas em uma tentativa de atrapalhar suas operações, que são legítimas e legais”, declarou por meio de um comunicado Geng Shuang, porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores.

“Huawei é onipresente, mas é também um alvo visível e sensível, pois tem uma parte de seu faturamento feito no exterior”, comenta Jean-François Di Meglio, presidente do instituto de pesquisas Asia Centre. Segundo ele, “a partir do momento em que se ataca as atividades internacionais dessa empresa, também estamos atacando a China nesse combate comercial com os Estados Unidos”.

Internet 5G e espionagem

No entanto, Di Meglio lembra que trata-se também de uma batalha sobre tecnologia de ponta, um tema que preocupa não apenas os Estados Unidos. Afinal, a Huawei está na liderança para a implementação da internet 5G no mundo, prevista para ser iniciada em 2020. A tecnologia permitirá, entre outras coisas, desenvolver os chamados “objetos conectados”

Segundo Gilles Babinet, vice-presidente do Conselho nacional francês do digital, o país que controlar a internet 5G terá entre suas mãos um sistema poderoso. De acordo com o especialista, além de melhorar os serviços de telefonia, essa tecnologia será usada nos serviços de transporte e nos futuros veículos autônomos. 

Pierre Manière, jornalista especializado em novas tecnologias no jornal francês La Tribune, confirma que há nesse momento uma corrida contra o relógio para saber quem vai lançar a tecnologia 5G. "O primeiro país que controlar esse sistema poderá construir um novo GAFA", diz o jornalista, em alusão ao grupo formado por Google, Apple, Facebook e Amazon, lembrando que os Estados Unidos só puderam criar sua supremacia no mundo da informática porque controlaram, antes dos demais países, a tecnologia 4G. 

Nesse contexto de concorrência para o acesso a uma tecnologia tão importante, a suposta proximidade da Huawei com o governo chinês, cogitada pelos Estados Unidos, preocupa. O fundador da empresa, Ren Zhengfei, é ex-engenheiro do Exército chinês, o que alimentou os rumores sobre sua potencial ligação com o regime. Além disso, uma lei em vigência desde 2017 na China exige que todas as empresas do país cooperem com os serviços de Inteligência.  

Os governos de vários países se mostraram preocupados com o risco de que a internet 5G desenvolvida pela Huawei permita ao regime de Pequim espionar o conteúdo de comunicações feitas fora de seu território, algo possível tecnicamente. A empresa desmente qualquer risco de espionagem de sua parte. Mesmo assim, além dos Estados Unidos, Austrália, Polônia, República Checa, Nova Zelândia, Reino Unido e Alemanha já se distanciaram da Huawei. O Japão também estaria cogitando se afastar do gigante chinês.

Huawei vende para 45 dos 50 maiores operadores mundiais

A gigante chinesa, que emprega 180 mil pessoas, já tem um papel dominante na indústria de telecomunicações e telefonia. Atualmente, a empresa vende seus produtos para 45 dos 50 maiores operadores mundiais. O grupo, que começou suas internacionalização se implementando no continente africano, conquistou aos poucos os mercados asiáticos, antes de chegar na Europa e nos Estados Unidos. 

A França, por meio de seu ministro das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, declarou que a onipresença da Huawei poderia representar “um risco”. O Senado francês já estuda um texto visando garantir a segurança das redes de internet no país.

Já o comissário europeu responsável por assuntos digitais, Andrus Ansip, anunciou que pretende endurecer as restrições contra Huawei e outras empresas que possam representar um risco para a região. O representante de Bruxelas já havia dito, em dezembro, que os países do bloco deveriam desconfiar dos fabricantes chineses. 

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