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Mundo

O escândalo dos bebês e crianças sem documentos presos na Coreia do Sul

media A ONG World Vision Korea lançou uma campanha e uma petição online para defender os direitos das crianças e bebês aprisionados ©World Vision

Diversas ONGs de direitos humanos denunciam o comportamento das autoridades sul-coreanas em relação a crianças e bebês de estrangeiros em stiuação ilegal, acusadas de enviá-los para prisões com adultos. A prática já foi denunciada, mas sem despertar interesse em uma sociedade onde a questão dos migrantes provoca uma série de medos.

Por Frédéric Ojardias, correspondente da RFI em Seul

De acordo com revelações do site Korea Exposé, quando as autoridades prendem estrangeiros ilegais, elas aprisionam seus filhos com eles, mesmo que sejam muito jovens. O site publicou o testemunho de uma mãe liberiana detida 23 dias em uma prisão para adultos estrangeiros com seus dois filhos, de 3 e 1 ano. O bebê ainda precisava ser amamentado. Eles estavam em uma cela com dez detidos adultos, onde só eram permitidos 30 minutos de exercício diário no pátio.

A comida era passada entre as barras de ferro, sem nenhum cuidado destinado às crianças, e os guardas gritavam quando elas não ficavam na parte comum da cela, disse a mãe entrevistada. Ela garante que seus filhos saíram profundamente traumatizados da detenção. O Ministério da Justiça da Coreia do Sul se recusa a fornecer estatísticas sobre o número exato de crianças sem documentos colocadas na prisão. Há mais de 350.000 residentes estrangeiros ilegais na Coreia do Sul.

Uma violação dos direitos da criança denunciada por ONGs

A prática é denunciada por ONGs de direitos humanos, mas sem sucesso. A ONG World Vision Korea lembra que a Coreia do Sul viola as convenções internacionais sobre os direitos da criança que assinou. Nam Hee-kyung, seu representante, pede às autoridades que mudem a lei sobre a imigração: "[Esta prática] é uma grave violação dos direitos da criança. Nosso governo diz que não quer colocar crianças na prisão, mas porque seus pais não têm status legal para ficar no país, isso lhes dá um lugar para permanecer enquanto eles não forem deportados. Mas algumas dessas crianças já têm uma casa na Coréia, um lugar permanente onde poderiam ficar! Estudos mostraram que mesmo uma detenção muito curta pode ter sérias consequências para as crianças, sua saúde e seu estado mental e psicológico”.

A World Vision lançou uma campanha e uma petição online, mas reuniu apenas 9 mil assinaturas. No ano passado, mais de 700.000 sul-coreanos assinaram uma petição exigindo a expulsão de 500 iemenitas que fugiam da guerra e estavam refugiados na ilha de Jeju.

Empresa coreana suspeita

A questão da imigração provoca muita resistência na Coreia do Sul. No entanto, devido ao envelhecimento de sua população, o país importa parte de sua força de trabalho no exterior, geralmente no sudeste asiático. Esses trabalhadores migrantes ocupam os empregos mal remunerados e perigosos que os coreanos recusam. Mas eles frequentemente sofrem de condições de trabalho miseráveis ​​e empregadores abusivos.

Eles não podem mudar de emprego sem a permissão do seu chefe. Alguns fazem isso de qualquer maneira e se tornam indocumentados. Outros continuam trabalhando depois que o visto expira. Os acidentes de trabalho são numerosos, assim como os ataques policiais, prisões e expulsões.

Mas esses problemas não causam indignação: a onda de xenofobia causada pela chegada de 500 refugiados iemenitas no ano passado lembrou que a sociedade coreana permanece em alerta com relação a migrantes. ONGs pedem o fim do abuso desses estrangeiros e de seus filhos e criticam a indiferença do presidente Moon Jae-in, que, antes de entrar para a política, era um ex-advogado de direitos humanos.

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