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Mundo

Chechênia é novamente acusada de perseguir comunidade LGBT

media Diante da embaixada da Rússia em Londres, manifestantes protestaram contra perseguição de comunidade LGBT na Chechênia Reuters/Neil Hall

Uma associação LGBT russa denunciou nesta segunda-feira (15) uma nova onda de perseguição de homossexuais na Chechênia. As autoridades da república de maioria muçulmana, que faz parte da Rússia, desmentem as acusações, dois anos após os testemunhos de torturas dessa minoria na região, que geraram uma indignação internacional.

“Desde o fim do mês de dezembro de 2018 ocorreram novas prisões de homens e mulheres por causa da suposta orientação sexual”, afirmou a associação LGBT russa. “Segundo nossas fontes, cerca de 40 pessoas foram presas e pelo menos duas morreram torturadas.”

Igor Kotchetkov, diretor da ONG, ressalta que as autoridades da Chechênia confiscaram os passaportes das pessoas detidas, para impedi-los de deixar o território. Eles foram ameaçados e forçados a assinar formulários, segundo Kotchetkov.

Governo nega

“Trata-se de pura mentira. Não houve detenções com base na orientação sexual na Chechênia durante o período mencionado”, afirmou, à agência russa Interfax, Alvi Karimov, porta-voz do presidente checheno Ramzan Akhmadovich Kadyrov. Num comunicado, a ONG Anistia Internacional fez um apelo para uma reação dos outros países após as novas acusações.

“Várias pessoas LGBT na Rússia permanecem traumatizadas pelos abusos de 2017, quando dezenas de homossexuais na Chechênia foram sequestrados, torturados e mortos. A justiça ainda não foi feita para as violências desse período, provando que essa minoria não pode contar com a proteção das autoridades russas”, disse o comunicado da Anistia Internacional.

“Como não houve investigação oficial, as autoridades chechenas lançaram uma nova onda de perseguição, persuadidas que o governo russo vai apoiá-las na negação e nos discursos equívocos”, finalizou a organização de defesa dos direitos humanos.

Anistia tenta há anos chamar atenção para o caso

O jornal russo Novaïa Gazeta revelou em 2017 que homossexuais eram alvo de prisões da parte das autoridades chechenas. Diversos testemunhos similares foram recolhidos por vários veículos de imprensa, incluindo a AFP. Uma investigação foi aberta pela Procuradoria-Geral russa, mas nada foi revelado.

Em junho do mesmo ano, a Anistia Internacional organizou um evento em solidariedade às vítimas de perseguição homofóbica na Chechênia. A Anistia esperava, com o ato, chamar a atenção da imprensa e tentar mobilizar as autoridades russas. “Como o presidente checheno Ramzan Kadyrov está mais propenso a negar os fatos, apenas com uma pressão contínua da parte de Vladimir Putin poderemos conseguir uma verdadeira investigação sobre os abusos cometidos contra as pessoas LGBT”, disse na época Cécile Coudriou, vice-presidente da Anistia Internacional.

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