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Mundo

"EUA não são aliados confiáveis", diz cientista político sobre saída de tropas americanas da Síria

media Veículos militares americanos na cidade de Darbasiya ao lado da fronteira turca, Síria em 29 de abril de 2017. REUTERS/Rodi Said/File Photo

A coalizão internacional antijihadista dirigida pelos Estados Unidos anunciou, nesta sexta-feira (11), o início da retirada das tropas americanas da Síria. Na noite de quinta-feira (10), cerca de 150 soldados se retiraram da base militar de Rmeilan, na província de Hassaké, leste do país, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). A RFI conversou com Frédéric Charillon, professor de Ciências Políticas e especialista em Relações Internacionais do instituto Sciences Po de Paris, que abordou como esse episódio geopolítico coloca em questão a credibilidade dos Estados Unidos como um bom aliado.

De acordo com informações da AFP, o Exército americano já começou a retirar alguns equipamentos da Síria. A saída dos 2.000 soldados americanos do país foi anunciada por Trump em dezembro de 2018, argumentando que o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) havia sido derrotado na região.

Segundo o cientista político Frédéric Charillon, a decisão do presidente dos Estados Unidos não é exatamente uma surpresa, mas uma “confirmação de incoerência”. “O que observamos, com esse caso e com outros, é que houve declarações contraditórias. Sabemos que Trump pretende fazer o que prometeu em sua campanha. Ele está pronto a tudo para cumprir suas promessas, vemos isso com o embate em torno do muro com a fronteira mexicana”, afirma.

“Sobre a Síria, vemos claramente que nem todo mundo nos EUA concorda com a retirada das tropas. No nível geopolítico, entre os países da coalizão, a França já demonstrou seu descontentamento com a decisão”, lembra o professor. “Mas o que é inquietante é que tudo isso não foi motivado por uma visão política clara, mas por um capricho ou uma obsessão de manter sua promessa de campanha, independentemente do custo geopolítico.”

Curdos serão abandonados

Com a decisão de Trump, que desagrada os países que fazem parte da coalizão e seus aliados curdos, a credibilidade dos Estados Unidos sairá profundamente debilitada, de acordo com a análise de Charillon. “O país vai manter suas tropas no Iraque, o que significa que, no plano militar, diversos arranjos são possíveis. Do ponto de vista político, o que conta é que os Estados Unidos usaram seus aliados, os curdos, para combaterem o Estado Islâmico, e essa retirada dá a impressão de que eles abandonam esses parceiros”, explica o pesquisador.

“Durante o governo de Obama, chegamos a ver certas hesitações. Foi o caso com a Síria em 2013, quando os EUA não quiseram atacar o regime [de Bashar Al-Assad], algo que a França desejava. Mas, mesmo sem concordar, sabíamos que se tratava de uma reflexão e podíamos compreender as razões de Obama”, analisa Charillon. “Já com Trump, trata-se realmente de alguém impulsivo, que não respeita suas promessas aos curdos, que serão abandonados aos bombardeamentos turcos, mostrando que não é confiável ser aliado dos Estados Unidos.”

Outro ponto ressaltado por Charillon é que, ao se retirarem, os Estados Unidos deixam o terreno livre para a Rússia, levantando novamente as especulações sobre os estranhos elos entre Trump e o chefe de Estado russo, Vladimir Putin. A coalizão foi criada em 2014, após a meteórica emergência do grupo Estado Islâmico (EI) na Síria e sua conquista de grandes faixas neste país e no Iraque, criando um autoproclamado califado.

As Forças Democráticas Sírias (FDS), uma milícia curdo-árabe que conta com o apoio de Washington, está tentando expulsar os extremistas do EI do vale do Eufrates. Vários países, além da França, participam da coalizão, como o Reino Unido. Ainda não se sabe se o início de retirada americana também incluirá as tropas francesas e britânicas no terreno.

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