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Mundo

Ex-ministro de Israel, que já foi condenado por tráfico, se declara culpado de espionagem

media Gonen Segev, ex-ministro de Israel acusado de espionagem (centro) REUTERS/Ronen Zvulun

Acusado de atuar como espião para o Irã, país inimigo de Israel, o ex-ministro israelense Gonen Segev se declarou culpado nesta quarta-feira (9) e deve ser condenado a 11 anos de prisão, segundo anúncio do Ministério da Justiça. Ele já tinha sido condenado em 2003 a um ano de prisão com sursis por tentativa de fraude e, em 2004, a cinco anos por tráfico de 30 mil pastilhas de ecstasy para Israel, a partir da Holanda, utilizando um passaporte diplomático com data de vencimento falsa.

Em 2012, Gonen Segev foi abordado pela primeira vez pelos agentes iranianos, quando morava na Nigéria. Médico de formação, ele perdeu seu diploma em Israel após sua condenação por tráfico de ecstasy e fraude. Segundo as autoridades israelenses, o Irã queria obter informações sobre infraestruturas energéticas e de segurança do país rival, assim como dados confidenciais de membros do governo.

Segev, que foi ministro de Energia e Infraestrutura entre 1995 e 1996, chegou a organizar encontros entre membros das forças de segurança israelenses e pessoas supostamente próximas do governo nigeriano, que na verdade eram iranianos. Gonen Segev agiu dessa forma durante seis anos e esteve em Teerã duas vezes.

Advogados reiteram que Gonen Segev não queria trair Israel

As duas partes chegaram a um acordo para que Segev seja condenado a 11 anos de prisão por "espionagem grave" e por "transferência de informações para o inimigo". O acordo será apresentado em fevereiro a um tribunal para que possa ser aprovado. Segev foi detido em maio no aeroporto Ben Gurion, perto de Tel Aviv, mas sua prisão foi anunciada apenas em 18 de junho.

"Acreditamos que o acordo conduz o caso a sua proporção natural e justa", afirmaram os advogados do ex-ministro em um comunicado. "Segev estava em contato com os iranianos, mas sua motivação não era 'ajudar o inimigo em tempo de guerra'”. Em sua defesa, o ex-ministro afirmou que se tornou agente duplo porque queria voltar a Israel como “um herói”.

O médico de formação foi eleito deputado em 1992 por um partido de extrema direita, mas deixou a sigla e votou a favor dos acordos de Oslo II em outubro de 1995. A medida permitiu que o então primeiro-ministro israelense, Ytzak Rabin, tivesse a segunda fase de um projeto para a criação de um Estado Palestino aprovada pelo Parlamento.

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