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Mundo

Arábia Saudita abre processo do assassinato de jornalista Khashoggi

media O jornalista Jamal Khashoggi foi morto no dia 2 de outubro no consulado saudita em Istambul, na Turquia. REUTERS/Osman Orsal/File Photo

O procurador-geral da Arábia Saudita pediu formalmente, nesta quinta-feira (3), a pena de morte para cinco suspeitos do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, enquanto muitas dúvidas ainda pairam sobre este caso que manchou a imagem do reino.

Khashoggi, crítico do poder em Riade que trabalhava para o Washington Post, foi morto em 2 de outubro por autoridades sauditas no consulado do reino em Istambul. O assassinato teve um impacto global, com algumas autoridades na Turquia e nos Estados Unidos sugerindo uma responsabilidade direta do poderoso príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.

Três meses após o assassinato, um processo foi aberto nesta quinta-feira em um tribunal penal de Riade, segundo uma declaração do procurador-geral publicada pela agência oficial de notícias SPA. Onze suspeitos compareceram perante a corte na presença de seus advogados, informou o comunicado, sem revelar a identidade dos acusados.

Os advogados solicitaram acesso às acusações exatas contra seus clientes e um prazo para estudá-las. O tribunal atendeu a seus pedidos e não marcou uma data para a próxima audiência. O procurador saudita informou ainda que seus dois pedidos às autoridades turcas para obter provas sobre o caso continuam sem resposta.

"Este processo gera um enorme interesse internacional, mas também grande suspeita sobre se os verdadeiros responsáveis pelo crime serão responsabilizados", declarou Ha Hellyer, membro associado do Royal United Services Institute.

Depois de negar a morte do jornalista, Riade finalmente explicou que ele havia sido morto durante uma "operação fora de controle" supervisionada por dois altos funcionários que foram demitidos. Mas Ancara acusou os "níveis mais altos" do Estado saudita. A imprensa turca e americana, assim como a CIA, suspeitam que o príncipe herdeiro saudita, apelidado de MBS, tenha ordenado pessoalmente a operação contra Jamal Khashoggi.

A Turquia solicitou a extradição de 18 sauditas, suspeitos de envolvimento no assassinato, que foram presos na Arábia Saudita. Mas o país árabe respondeu negativamente dizendo que não iria extraditar seus cidadãos e que eles seriam julgados pela justiça saudita.

Processo rápido

A Justiça saudita não se arrastou, indiciando a partir de 15 de novembro 21 suspeitos e acusando onze pessoas. Sua imparcialidade neste caso é questionada por defensores dos direitos humanos, incluindo Samah Hadid, diretora de campanhas da Anistia Internacional no Oriente Médio. "Dada a falta de independência do sistema de justiça criminal na Arábia Saudita, a imparcialidade de qualquer investigação e qualquer julgamento é questionável", disse.

Em 20 de outubro, as autoridades sauditas anunciaram, sem convencer, a demissão de cinco pessoas apresentadas como responsáveis indiretas do assassinato. Entre elas está o general Ahmed al-Assiri, vice-chefe de Inteligência acusado, de acordo com o procurador, de ter ordenado que uma equipe de 15 agentes trouxesse "por vontade ou à força" Khashoggi à Arábia Saudita.

Outro funcionário destituído foi Saud al-Qahtani, conselheiro da Corte Real que desempenhava um papel importante na expedição turca. No entanto, não está claro se eles serão processados.

Saud al-Qahtani também está em uma lista de 17 autoridades sauditas sancionadas pelos Estados Unidos e outros países ocidentais por sua "responsabilidade ou cumplicidade" no assassinato.

O presidente americano, Donald Trump, se recusou a seguir as conclusões da comunidade de inteligência, que está inclinada a apostar na responsabilidade do príncipe herdeiro. Ele nunca questionou diretamente Mohammed bin Salman. Mas parlamentares influentes no Congresso americano não desistiram da ideia de retaliação contra Riade e podem pressionar Trump nas próximas semanas.

Com informações da AFP.

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