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Prisão de Carlos Ghosn no Japão é prolongada por suspeita de abuso de confiança

media Um tribunal de Tóquio decidiu nesta segunda-feira (31) prolongar até 11 de janeiro, a prisão preventiva do ex-presidente da Nissan, Carlos Ghosn. REUTERS/Regis Duvignau/File Photo

Um tribunal de Tóquio decidiu nesta segunda-feira (31) prolongar até 11 de janeiro, a prisão preventiva do ex-presidente da Nissan, Carlos Ghosn, por suspeita de abuso de confiança. O juiz aceitou o pedido do promotor, que considerou necessário mais tempo para decidir se o denuncia a partir das novas acusações. Ghosn, que continua sendo o presidente da Renault, está detido no Japão desde 19 de novembro e já foi denunciado por omitir renda às autoridades financeiras japonesas durante cinco anos.

A decisão judicial desta segunda prolonga a saga acompanhada no Japão e no mundo dos negócios desde a inesperada prisão do magnata do setor automotivo em Tóquio. Isto não significa que Ghosn será automaticamente liberado em 11 de janeiro, ou um dia depois, já que a Promotoria poderá renovar sua detenção baseando-se em novas acusações.

Ghosn também está preso por uma primeira acusação, o que significa que ele não pode ser liberado até o final desta detenção. Ele poderá sair somente após a aceitação, por um tribunal, de um pedido de liberação, sob fiança.

As autoridades seguem três linhas diferentes de investigação contra o empresário franco-libanês-brasileiro de 64 anos. Ele é suspeito de ter conspirado com seu braço direito, o executivo americano Greg Kelly, para ocultar um terço de seus rendimentos (cerca de cinco bilhões de ienes, o equivalente a U$ 44 milhões) entre 2010 e 2015. Também teria omitido declarar quatro bilhões de ienes (U$ 35 milhões) entre 2015 e 2018, aparentemente para evitar críticas por seu considerável salário. Na terceira linha de investigação, pela qual prolongaram a sua prisão nesta segunda, Carlos Ghosn é suspeito de ter "falhado em sua função de presidente e provocado um prejuízo a Nissan".

Usando dinheiro da empresa para fins pessoais

Concretamente, a Promotoria o acusa de ter feito com que a Nissan encobrisse "perdas em investimentos pessoais" durante a crise financeira de outubro de 2008, o que ele nega, segundo a emissora de televisão pública japonesa NHK. A soma em questão supera os 1,850 bilhão de ienes (U$ 16,6 milhões). Para resolver este problema financeiro, teriam conseguido que um amigo da Arábia Saudita avalizasse e efetuasse transferências por um valor equivalente na conta deste último, a partir de uma conta de uma filial da Nissan.

Este tipo de crime geralmente prescreve após sete anos, mas a lei permite suspender a contagem durante estadias no exterior, numerosas no caso de Ghosn, que passou apenas um terço de seu tempo no Japão. Seu braço direito Greg Kelly, administrador da Nissan, foi colocado em liberdade sob fiança na semana passada, já que a razão pela qual Ghosn ainda está preso não o afeta.

Ghosn, que continua presidindo a Aliança Renault-Nissan, foi inicialmente detido em uma pequena cela, mas há várias semanas goza de melhores condições de detenção. Seus advogados poderão vê-lo excepcionalmente nos dias 2 e 3 de janeiro, segundo a agência japonesa Jiji.

Com informações da AFP.

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