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Mundo

Presidente filipino diz que agrediu sexualmente uma empregada doméstica

media O controverso presidente filipino Rodrigo Duterte, em 15 de setembro de 2018. REUTERS/Erik De Castro

O presidente filipino Rodrigo Duterte contou neste domingo (30) como, quando adolescente, teria assediado sexualmente uma emprega doméstica, o que provocou indignação e fez com que organizações de direitos das mulheres o acusassem de defender agressões sexuais.

O polêmico presidente muitas vezes cria escândalos quando fala sobre mulheres. Especialmente, quando brincou sobre um estupro e se gabou publicamente de suas infidelidades.

Duterte, 73 anos, comentando uma confissão que fez a um padre durante o ensino médio, contou como entrou no quarto da empregada quando ela estava dormindo.

"Eu levantei o cobertor e tentei tocar o que estava na roupa íntima", afirmou em um discurso. "Eu estava tocando quando ela acordou e eu fui embora", acrescentou.

Depois contou ainda que confessou ao padre que ele havia voltado ao quarto da mulher e tentado agredi-la novamente.

O partido Gabriela, que defende os direitos das mulheres, pediu a renúncia do presidente, denunciou suas palavras "repulsivas" e o acusou de ter reconhecido uma tentativa de estupro.

"Uma penetração com o pênis não é a única violação. Se for com um dedo ou um objeto, é também um estupro", disse Joms Salvador, secretário-geral da Gabriela.

Diante de uma enxurrada de críticas, o porta-voz de Duterte disse neste domingo que o presidente "inventou" e "exagerou" a história.

"Ele inventou uma piada para chamar a atenção para as agressões sexuais que ele e seus companheiros sofreram na escola", disse Salvador Panelo.

Críticas à Igreja Católica

Duterte proferiu estas palavras durante as declarações em que ele criticou a Igreja Católica pelas acusações de abuso sexual contra crianças.

O presidente, que chamou a Igreja de "a instituição mais hipócrita" - em um país com maioria católica - disse no sábado que ele e seus colegas foram vítimas de violência sexual.

Duterte está em conflito aberto com a hierarquia católica de seu país, que foi muito crítica em relação a sua campanha sangrenta contra o tráfico de drogas.

Desde que Duterte chegou ao poder há dois anos, a polícia disse que matou quase 5.000 pessoas durante operações antidrogas, mas organizações de direitos humanos dizem que o saldo é três vezes maior.

Duterte e seus conselheiros, depois de suas declarações controversas sobre as mulheres, tendem a relativizar e descrevê-las como uma piada, ou dizer que foram tiradas de contexto.

(Com informações da AFP)

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