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Mundo

Rússia e Turquia acertam ação coordenada após retirada dos EUA da Síria

media O ministro das Relações Exteriores russo ( à dir.), Sergueï Lavrov, e seu homólogo turco, Mevlüt Cavusoglu, em Moscou, em 24 de agosto de 2018. REUTERS/Maxim Shemetov

Rússia e Turquia acertaram neste sábado (29) uma ação coordenada na Síria após o anúncio de retirada dos soldados americanos, decisão que já está causando reversões de alianças.

"Entramos em acordo para que representantes militares russos e turcos sobre o terreno sigam coordenando as suas ações neste novo contexto com o objetivo de erradicar a ameaça terrorista na Síria", assinalou o ministro das Relações Exteriores russo Sergei Lavrov, depois de uma reunião com uma delegação turca em Moscou.

"Falamos da forma como vamos coordenar o nosso trabalho em comum neste contexto" da partida dos americanos, confirmou o seu homólogo turco, Mevlüt Cavusoglu.

Lavrov se declarou otimista após essas negociações, nas quais participaram Cavusoglu, os ministros de Defesa dos dois países, Hulusi Akar e Sergei Shoigu, e membros dos serviços de Inteligência.

Decisão de Trump muda os contornos da guerra

A decisão de Donald Trump mudou os contornos do conflito, cuja complexidade tem aumentado constantemente desde 2011, quando os curdos, apoiados por tropas americanas até agora e ameaçados pela Turquia, pediram ajuda ao Exército do líder sírio, Bashar al-Assad. As forças do governo entraram na sexta-feira em uma região do norte do país.

Este avanço do regime sírio agradou seu aliado russo, mas enfureceu Ancara, e é neste contexto que uma delegação turca foi a Moscou para conversas com ministros de Relações Exteriores, Defesa e autoridades de ambos os países.

Esta é a primeira vez em seis anos que as forças sírias retornam à estratégica localidade de Minbej, num contexto de multiplicação, com a ajuda crucial do aliado russo, das vitórias militares do regime de Damasco, que parece no caminho certo para quebrar seu isolamento diplomático.

A Turquia denunciou o posicionamento dessas tropas perto de Minbej, dizendo que as forças curdas "não têm o direito de apelar a elas".

O Kremlin, por sua vez, considerou positiva, dizendo que contribuiu para uma "estabilização da situação".

Processo político

A Rússia e o Irã são os principais aliados do regime de Damasco, enquanto a Turquia é um grande defensor dos rebeldes. Os três países são os avalistas do processo de paz de Astana, implementado em janeiro de 2017 sem o envolvimento de Washington e que gradualmente ofuscou as negociações promovidas pelas Nações Unidas.

Este processo, no entanto, tenta chegar a um acordo político para um conflito que já custou mais de 360.000 vidas desde 2011.

A Rússia e a Turquia também se comprometeram a cooperar para promover o retorno dos refugiados sírios a suas casas e fornecer a eles ajuda humanitária, bem como continuar trabalhando para a criação de uma zona desmilitarizada em Idlib, a última fortaleza rebelde na Síria.

Uma cúpula sobre a Síria reunindo os presidentes de Rússia, Turquia e Irã está prevista para o início de 2019 na Rússia, segundo Moscou.

A cúpula anterior entre os três presidentes ocorreu em setembro no Irã e trouxe à tona as grandes diferenças de opinião entre Vladimir Putin, Hassan Rohani e Recep Tayyip Erdogan sobre o destino da província de Idlib.

(Com informações da AFP)

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