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Mundo

Serial killer russo que matou 78 mulheres é condenado pela segunda vez

media Mikhail Popkov, de 54 anos, foi hoje, 10 de dezembro, condenado pela segunda vez a prisão perpétua, informou o Ministério Público russo. Anton KLIMOV / AFP

De dia, pai dedicado. De noite, um assassino sanguinário. Conheça a trajetória do russo Mikhaïl Popkov, conhecido como o “maníaco de Angarsk”, cidade da Sibéria onde durante duas décadas ele matou dezenas de mulheres. Ex-policial, ele costumava voltar ao local do crime para apagar pistas.

Angarsk é uma pequena cidade industrial de 250 mil habitantes, situada no sul da Sibéria, perto da fronteira com a Mongólia. Durante vinte anos, Mikhaïl Popkov, um ex-policial, casado e pai de uma filha, sequestrou, torturou e matou 78 mulheres entre 16 e 40 anos. Em 2015, ele foi condenado à prisão perpétua pela morte de 22 de suas vítimas, entre 1992 e 2010. No último dia 10 de dezembro, ele compareceu novamente ao tribunal e foi condenado uma segunda vez pelo assassinato de 55 mulheres e um homem. Ele também reconheceu ter estuprado 11 delas.

O jornal francês “Le Parisien” publicou nesta segunda-feira (17) um perfil de Popkov. Nascido em Norilsk, no norte da Sibéria, ele foi educado pelos avós até a idade de 5 anos. Em seguida, mudou-se para Angarsk, para morar com os pais, que trabalhavam na cidade, e a irmã. “Ele cresceu sem amor materno”, diz Yevgeny Karchevsky, responsável pela investigação do caso desde 2014.

Segundo ele, Mikhaïl era um homem intransigente, que não suportava que sua irmã saísse à noite. Entrevistado pela jornalista russa Sasha Sulim para o jornal Meduza, em dezembro de 2017, Popkov descreveu uma “atmosfera normal” em uma família “ordinária”. Quando a polícia encontrou os primeiros cadáveres, o assassino não levantava qualquer suspeita. Praticante de biathlon, ele era descrito pelos vizinhos como alguém “pouco sociável”, com uma família que parecia perfeita: fazia caminhadas, andava de bicicleta com a mulher e organizava refeições no hall do prédio.

Traição

Mas a realidade era bem diferente. Popkov suspeitava que sua mulher, Elena, o traísse, o que funcionou como um gatilho para os crimes, diz a polícia. “Ele desenvolveu um ódio pelas mulheres”, disse o investigador Nikolaï Kitaev ao jornal francês. Enviado em 1998 à cidade, ele percebeu que muitos dos indícios importantes haviam sido ignorados e, principalmente, o fato de que os crimes na realidade estavam sendo cometidos por um serial killer.

O “modus operandi” era o de um homem que conhece bem o setor, a vida noturna e que tem um carro. Os crimes seguiam uma lógica: aconteciam no mesmo horário, em locais parecidos, com as mesmas armas e os ferimentos atingiam as mesmas partes do corpo. Kitaev tinha razão. O serial killer russo sempre agia da mesma maneira. De noite, no volante de uma viatura de polícia, ele propunha uma carona às mulheres, de preferência sozinhas e alcoolizadas, para deixá-las em casa. Sorridente e atraente, ele levou poucos foras.

Na viatura, uma Lada Niva, ele conversava com as vítimas e, em função das respostas, decidia o que fazer com elas. Nem todas foram assassinadas. Em geral, diz a jornalista Sasha Sulim, o problema era quando uma delas perdia a paciência. Em sua entrevista, Popkov disse que as mulheres não deviam “provocá-lo, julgá-lo ou ter alguma atitude negativa”. Nesse caso, ele pedia o número de telefone e a deixava sã e salva em casa.

As vítimas que não tiveram a mesma sorte acabavam esquartejadas e mortas. A tal ponto que os funerais de algumas delas aconteceram com o caixão lacrado. Ele as abandonava na rodovia M53, que liga as cidades de Irkoutsk a Novossibirsk. "Ele tinha um desejo irresistível de matar", diz o investigador Yevgeny Karchevsky. As mulheres assassinadas não tinham perfis marginais: eram filhas, mães de família ou esposas.

“Acabei com ela com uma pá”

Policial, Popkov era cauteloso para não deixar pistas. A ponto de voltar às vezes ao local do crime para apagá-las. Foi o caso das vítimas Maria Lizhina, 35 anos, e Lilya Pashkovskaya, 37 anos. Depois de torturá-las, ele retornou para procurar e apagar eventuais digitais da cena do crime. Ao jornal “The Independent”, ele disse que, ao perceber que uma delas ainda respirava, decidiu “acabar com ela” com a ajuda de uma pá. Sem levantar suspeitas, ele agiu impune por vários anos. Foi apenas em março de 2002 que o caso chegou à polícia de Moscou, que conseguiu obter traços de DNA. Popkov, nessa época, deixou seu emprego.

Ao mesmo tempo, a polícia estabeleceu uma lista de 30 mil suspeitos, que foi reduzida a 600 suspeitos. Em 2010, todos os homens que faziam parte delas, incluindo Popkov, foram convocados para um teste de DNA. Identificado, ele só foi preso no dia 29 de junho de 2012, em Vladivostok, onde começou a traficar carros depois de deixar a polícia. Ele reconheceu primeiramente 22 crimes. Popkov, afirmam especialistas, não sofre de problemas mentais. Segundo Sasha Sulim, “ele não se arrepende de nada, tem consciência do que fez, e aceita ser condenado. Tem até esperança de ser libertado”.

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