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Mundo

Combates no Iêmen atingem bairro residencial de Hodeida

media Conflito no Iêmen já fez milhares de vítimas, entre eles muitos civis. REUTERS/Abduljabbar Zeyad/File Photo

Os combates pelo controle de Hodeida chegaram, neste domingo (11), a um bairro residencial desta região portuária iemenita, onde as forças pró-governo tentam romper a resistência dos rebeldes huthis. Estratégica, é por essa cidade que entram 75% das importações e da ajuda humanitária internacional ao Iêmen.

As forças pró-governo entraram em um bairro situado entre o sul do Hospital 22 de Maio – do qual tomaram o controle na sexta-feira (9) – e a grande avenida Saná, afirmaram fontes militares, acrescentando que houve confrontos com os rebeldes em torno de um complexo turístico chamado Al Waha (Oásis). Os moradores de um setor localizado mais ao sul relataram terem ouvido disparos e bombardeios durante toda a noite e de forma esporádica neste domingo pela manhã.

Antes dos confrontos deste domingo, pelo menos 61 combatentes (43 rebeldes e 18 pró-governo) morreram nas últimas 24 horas na batalha de Hodeida, segundo fontes médicas. "Três pessoas do nosso bairro ficaram feridas por estilhaços de mísseis", afirma Marwa, que pediu para não ter seu verdadeiro nome revelado. "Estamos cansados. Não tem segurança. Não temos dinheiro. Desta vez ninguém consegue fugir”, completou.

A ofensiva contra Hodeida, apoiada militarmente pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos, começou em junho, mas se intensificou no começo de novembro com um saldo de mais de 400 combatentes mortos nos dois lados. Desde 2015, as forças pró-governamentais, com a ajuda da coalizão militar sob comando saudita, tentam expulsar aos rebeldes huthis, apoiados por Irã, das zonas que conquistaram no norte e no centro do país, incluindo a capital, Saná.

Pior crise humanitária do mundo

O Iêmen enfrenta a pior crise humanitária do mundo, segundo a ONU, com 14 milhões de pessoas à beira da fome. Várias organizações humanitárias estão preocupadas com o impacto dos combates em dezenas de milhares de civis presos na cidade de Hodeida e pela distribuição de ajuda.

"A situação é realmente negativa", declarou Mariam Aldogani, coordenadora dos membros da ONG Save the Children, que se encontram em Hodeida. "Os moradores têm muito medo" e as instalações médicas "recebem um número crescente de civis feridos", acrescentou.

Yahya Sharafeddin, o diretor adjunto do porto de Hodeida, localizada ao norte da cidade, disse neste domingo que "até agora, o porto está aberto". No entanto, "não podemos prever o que acontecerá no futuro".

Segundo os habitantes da cidade, a coalizão contra os rebeldes sob comando saudita recorre a aviões de combate e helicópteros Apache para atacar posições dos huthis, que colocaram numerosos explosivos para frear o avanço de seus adversários.

Desde 2015 a guerra no Iêmen deixou 10.000 mortos, na maioria civis, e 56.000 feridos.

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