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Mundo

Arábia Saudita enviou especialistas para apagar provas ligadas à morte de jornalista

media Corpo de jornalista morto em Istambul continua desaparecido REUTERS/Osman Orsal

A Arábia Saudita enviou dois homens à Turquia para apagar as provas do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, morto no consulado de seu país em Istambul no mês passado, segundo informações de uma importante autoridade turca divulgadas nesta segunda-feira (5). Um químico e um especialista em toxicologia chegaram à capital turca no dia 11 de outubro, nove dias após o crime.

“Acreditamos que os dois indivíduos vieram à Turquia com o único objetivo de apagar as provas do assassinato de Jamal Khashoggi, antes que a polícia fosse autorizada a entrar no local”, indicou a fonte turca, que preferiu ficar no anonimato. Ele também confirmou as identidades dos dois homens, publicadas no jornal turco Sabah: o químico seria Ahmed Abdulaziz e o toxicólogo, Khaled Yahya Al Zahrani.

De acordo com o Sabah, os dois homens deixaram a Turquia no dia 20 de outubro, após visitarem várias vezes o consulado e a residência do cônsul saudita em Istambul. A polícia só recebeu a autorização para entrar no consulado no dia 15 de outubro. “O fato de que uma equipe de ‘limpeza’ tenha sido enviada da Arábia Saudita mostra que as autoridades estavam cientes do crime”, afirmou a fonte.

Família exige restituição do corpo

O filho de Jamal Khashoggi pediu às autoridades sauditas que o corpo do jornalista, ainda desaparecido, seja restituído, para que um enterro possa ser providenciado. “Só queremos enterrá-lo no cemitério Al Baqi, com o resto de sua família”, declarou Salah Khashoggi numa entrevista à CNN.

A Arábia Saudita assegurou à ONU nesta segunda-feira que as investigações sobre a morte do repórter seriam “imparciais”, após uma nova série de críticas. A promessa foi feita enquanto a organização examina, em Genebra, o respeito dos direitos humanos no país – um procedimento normal para todas as nações, mas que adquiriu grande importância diante do assassinato de Khashoggi.

Vários países, sobretudo ocidentais, protestaram contra a morte do jornalista e exigiram investigações com transparência. Islândia e Costa Rica sugeriram até enviar especialistas internacionais, como pediu Michelle Bachelet, alta-comissária dos direitos humanos da ONU.

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