Ouvir Baixar Podcast
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 22/08 15h27 GMT
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 22/08 15h06 GMT
  • 15h00 - 15h06 GMT
    Jornal 22/08 15h00 GMT
  • 09h57 - 10h00 GMT
    Flash de notícias 22/08 09h57 GMT
  • 09h36 - 09h57 GMT
    Programa 22/08 09h36 GMT
  • 09h30 - 09h36 GMT
    Jornal 22/08 09h30 GMT
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 21/08 15h27 GMT
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 21/08 15h06 GMT
Para poder acessar todos os conteúdos multimídia, você deve instalar o plugin Flash no seu navegador. Para se conectar, você deve ativar os cookies nas configurações do navegador. O site da RFI é compatível com os seguintes navegadores: Internet Explorer 8 e +, Firefox 10 e +, Safari 3 e +, Chrome 17 e +.

Tensões geopolíticas com morte de jornalista geram incertezas à economia saudita e da região

Por
Tensões geopolíticas com morte de jornalista geram incertezas à economia saudita e da região
 
Vista de Riade, na Arábia Saudita getty images

Tumultuada pela morte do jornalista saudita Jamal Kashoggi, a conferência Future Investment Initiative (FII) termina hoje, em Riade, ainda sob clima de incerteza quanto a futuros impactos econômicos do episódio para a Arábia Saudita e seus vizinhos do Golfo.

Mariana Durão, correspondente da RFI em Dubai

Os desdobramentos do caso afetaram o mercado de ações saudita, com estrangeiros vendendo bilhões em papéis, e levaram autoridades e corporações a cancelarem sua ida ao principal fórum de investimentos do país em protesto. No longo prazo, entretanto, a questão chave para a economia da região é se haverá mudança significativa nas relações entre os Estados Unidos e o reino, seu principal interlocutor no mundo árabe.

O presidente americano Donald Trump tem dado sinais trocados. Analistas têm ressaltado que o caso Khashoggi se tornou um grande jogo geopolítico envolvendo americanos, turcos e sauditas. Ao mesmo tempo em que tem elevado o tom, dando declarações como a de que a morte do colunista do Washington Post no consulado saudita em Istambul foi “um dos piores encobrimentos da história”, Trump por vezes relativiza a responsabilidade do reino. O presidente americano também já afirmou que não está disposto a sacrificar o contrato de US$ 110 bilhões para a venda de armas ao país do Golfo.

Há pressão internacional por maiores esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte de Khasgoggi e seu paradeiro. O presidente francês, Emanuel Macron, disse ontem que o país não vai hesitar em aplicar sanções internacionais contra os culpados e os países do G-7 afirmaram que ainda há “muitas perguntas sem resposta” no caso. Na prática, entretanto, a única retaliação concreta veio da Alemanha, que suspendeu novas exportações de armas para a Arábia Saudita e pediu que outros países europeus não assinem mais contratos para fornecer armamentos ao país.

De imediato, a preocupação com uma possível deterioração das relações entre Riade e os países ocidentais se refletiu na bolsa de valores Saudita. Ao longo da semana passada, as vendas líquidas de ações por investidores estrangeiros chegaram a 4 bilhões de riais, ou US$ 1,1 bilhão, o maior volume desde 2015, segundo agências de notícias internacionais. As consequências econômicas futuras para o país e a região, porém, ainda são incertas. Grandes investidores institucionais deverão acompanhar a evolução dos fatos antes de tomar qualquer decisão mais drástica.

Ameaça econômica

Em um relatório, a Capital Economics avaliou que pode haver danos às perspectivas macroeconômicas de longo prazo. A consultoria independente baseada em Londres destaca que apesar das reformas modernizadoras em curso no país, o fluxo de investimento estrangeiro direto para a Arábia Saudita tem se mantido baixo e a crise pode elevar o nível de incerteza entre investidores. Os principais riscos elencados são de um choque político e de uma nova queda nos preços do petróleo em 2019, obrigando o governo a tomar medidas de austeridade que poderiam desacelerar o crescimento.

Apesar do boicote de grupos como Blackrock, Uber e Virgin,  a segunda edição da Future Investment Initiative (FII) contou com centenas de executivos e gerou acordos com potencial bilionário. Ontem, representantes do alto escalão de bancos como HSBC e Moelis fizeram palestras. O evento de três dias, que termina hoje, é chamado de “Davos do deserto”, em referência ao grande fórum econômico que acontece anualmente na Suíça.

A gigante do petróleo local Saudi Aramco anunciou a assinatura de 15 memorandos de entendimento (MOU’s) com parceiros de oito países como a petroleira francesa Total, a Halliburton e a Hyundai Heavy Industries. Se levados a cabo, os projetos são estimados em US$ 34 bilhões.  A trading Trafigura firmou uma joint venture com um grupo saudita para construir um complexo de refino. Embora os memorandos sejam uma espécie de carta de intenções, eles sinalizam que a Arábia Saudita é um parceiro de negócios que está longe de ser desprezível.

Donos de grandes reservas de petróleo, os sauditas têm importância estratégica no Oriente Médio. Os Estados Unidos contam com um aumento de sua produção para contrabalançar a redução de oferta causada por sanções a serem impostas ao Irã. Além disso, o país do rei Salman é muito rico. Só o fundo soberano de investimento público (PIF) tem ativos estimados em US$ 300 bilhões. Esses recursos têm sido destinados a aportes em áreas como infraestrutura e tecnologia, com o objetivo de tornar o país menos dependente do petróleo.

Como a Arábia Saudita é o principal interlocutor dos americanos no Golfo, qualquer potencial mudança na relação entre os dois países desperta o temor de mais instabilidade na região. Os aliados têm mantido seu apoio ao reino em meio ao turbilhão de notícias negativas, comparecendo em peso ao fórum. Declarações do ministro das Relações Internacionais dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Garhasg, via Twitter, na semana passada, exemplificam essa visão da Arábia Saudita como um ator chave.

“Da nossa perspectiva, a segurança, a estabilidade e o papel da região no ambiente internacional dependem da Arábia Saudita, com todos os encargos políticos, econômicos e religiosos que ela carrega. Nesse sentido, é necessário distinguir entre a busca pela verdade e sua importância”, destacou o ministro.

No fim de seu segundo dia, nesta quarta-feira, o fórum de negócios saudita ganhou destaque porque foi palco do primeiro pronunciamento público do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, sobre a morte de Khashoggi. MBS, como é conhecido, adotou um tom conciliador e prometeu cooperar com as autoridades turcas para levar os culpados à Justiça, sem entrar no mérito das declarações feitas pelo presidente turco Recep Tayyip Erdogan, que na véspera afirmou que o jornalista assassinado “de maneira selvagem”.

O príncipe também descartou que as reformas que vem conduzindo para modernizar o país possam ser afetadas. O mercado reagiu positivamente à fala de MBS na conferência. No início da tarde desta quinta-feira, o principal índice da bolsa Saudita, o Tadawul All Share Index (TASI), estava em alta de 4%.


Sobre o mesmo assunto

  • Macron diz que França aplicará sanções aos culpados pela morte de jornalista saudita

    Saiba mais

  • Arábia Saudita/ G7

    Ministros do G7 cobram esclarecimentos sobre morte de jornalista saudita na Turquia

    Saiba mais

  • Presidente turco revela que morte de jornalista saudita foi planejada e crime político

    Saiba mais

  • Arábia Saudita/jornalista

    Alemanha quer suspender venda de armas para sauditas depois de assassinato de jornalista

    Saiba mais

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. ...
  5. seguinte >
  6. último >
Programas
 
O tempo de conexão expirou.