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Mundo

Israel abre as portas para o retorno de mil “falashmoras”, os judeus da Etiópia

media Os falashmoras, os judeus originários da Etiópia, em imagem de 2010. REUTERS/Baz Ratner/Files

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou na segunda-feira (17) que permitirá a imigração de 1.000 judeus etíopes originários da comunidade conhecida como falashmoras.

Os falashmoras, que afirmam serem descendentes de judeus etíopes, não se beneficiavam da chamada Lei do Retorno, que permite que qualquer judeu da diáspora possa imigrar para Israel e automaticamente se tornar um cidadão local. Os judeus etíopes foram convertidos à força ao Cristianismo ainda no século XIX.

O governo israelense, no entanto, estabeleceu em 2015 uma lista nominativa de 9.000 judeus etíopes autorizados a imigrar para Israel dentro de cinco anos em nome do reagrupamento familiar. Netanyahu apontou, durante seu pronunciamento na segunda-feira, que, desde essa decisão, 1.300 falashmoras já haviam se instalado em Israel.

"Vamos autorizar a imigração de 1.000 membros da comunidade de falashmoras cujos filhos moram em Israel", disse Netanyahu na reunião de uma comissão ministerial sobre os desafios da integração de judeus etíopes. "Não vamos aceitar qualquer tipo de racismo contra eles e vamos lutar contra essa discriminação", acrescentou o premiê israelense.

Filhos etíopes da diáspora

A comunidade judaica etíope em Israel possui mais de 140 mil pessoas, incluindo mais de 50 mil nascidos no país. A maioria deles descende de comunidades isoladas do mundo judaico por séculos, que as autoridades religiosas de Israel reconheceram tardiamente.

Cerca de 80.000 judeus etíopes imigraram para Israel através de duas grandes pontes aéreas organizados em 1984 e 1991. Nos últimos anos, a comunidade dos falashmoras organizou uma série de protestos para denunciar o racismo e a discriminação que alegam enfrentar e para exigir que os membros de suas famílias na Etiópia possam se juntar a eles.

"Exigimos que o primeiro-ministro cumpra suas promessas e ofereça uma solução imediata para que os 8 mil membros da comunidade judaica permaneçam na Etiópia", afirmou na segunda-feira (17) Alisa Bodner, porta-voz da associação Struggle for Ethiopian Aliyah [Luta pela Diáspora Etíope, em português]. "Enquanto o governo continuar a violar seus compromissos de 2015 e manter famílias separadas, continuaremos a protestar e a lutar pela justiça", acrescentou.

Algumas associações de ajuda aos judeus etíopes e líderes comunitários locais se opõem a essa imigração, argumentando que o Estado de Israel está enfrentando dificuldades suficientes para a integração da comunidade e que os que ficaram para trás na Etiópia não seriam verdadeiramente judeus.

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