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Mundo

Chineses cruzam fronteira para comer frutos do mar "sem poluição" na Coreia do Norte

media Turista lê jornal norte-coreano "Pyongyang Times" durante um voo da companhia Air Koryo rumo a Coreia do Norte. REUTERS/Danish Siddiqui

Mesmo se as duas Coreias ainda não se reconciliaram, a retomada de negociações entre Pyongyang e Seul já tem repercussões na região. Uma delas é o aumento de número de turistas na Coreia do Norte. Vindos principalmente da China, eles atravessam a fronteira para descobrir um dos países mais fechados do mundo, mas também para degustar frutos do mar.

Stéphane Lagarde, correspondente da RFI em Pequim

As agências de turismo chinesas não esperaram o fim das sanções internacionais visando a Coreia do Norte para investir no país. Desde a visita do enviado especial de Pequim para participar das cerimônias do 70° aniversário da fundação da República popular e democrática da Coreia no dia 9 de setembro, tem aumentado o número de roteiros de viagem propondo programas do lado norte-coreano da fronteira.

“Estamos prevendo uma explosão de visitas durante a festa nacional chinesa, que começa em outubro”, declarou à RFI a representante de uma agência de viagens em Hunchun, cidade fronteiriça entre a Rússia e a Coreia do Norte. Os pacotes duram um ou dois dias e por apenas 100 yuans (R$ 5) é possível atravessar os rios Tumen e Yalu, que separam os dois países.

No entanto, se engana quem pensa que os turistas cruzam a fronteira apenas para saber como vivem os vizinhos em um dos países mais fechados do mundo. O programa favorito desses viajantes é principalmente gastronômico. “Nossos guias levam os clientes para um mercado de frutos do mar na cidade de Raeson, na Coreia do Norte”, explica o representante da agência. “Os turistas escolhem o que querem comer em um grande reservatório cheio de água e, em seguida, eles preparam o prato na sua frente. Os norte-coreanos não tem condições financeiras para consumir esse tipo de produto e o país precisa de turistas chineses para ganhar dinheiro”, analisa. Uma refeição em um desses restaurante custa 300 yuans (cerca de R$ 180).

A principal razão dessas “excursões gastronômicas” é o fato de que, por causa do isolamento do país, os frutos do mar na Coreia do Norte não teriam contato com a poluição. Os turistas também apreciam o arroz, cujas plantações seriam poupadas dos pesticidas habituais na China.

Segundo a agência sul-coreana Yonhap, os trens com destino a Pyongyang estão cada vez mais lotados de visitantes curiosos. Após dois anos de interrupção, a companhia norte-coreana Air Koryo também retomou, em 13 de setembro, os voos entre a capital Pyongyang e o porto de Dalian, no nordeste chinês.

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