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Mundo

Para evitar vício, Coreia do Sul proíbe venda de café em todas as escolas do país

media A partir de hoje, bebidas cafeinadas serão proibidas nas escolas da Coreia do Sul REUTERS/Stefano Rellandini

A Coreia do Sul proibiu, a partir desta sexta-feira (14), a venda de café para alunos e professores em todas as escolas do país. Com a medida, o governo quer evitar que os jovens abusem da bebida – e de outros energéticos que contêm cafeína – para permanecerem acordados à noite e poderem estudar mais.

Com informações de Frederic Ojardias, correspondente da RFI na Coreia do Sul

Escolas maternais, de ensino fundamental e médio foram privadas de todo acesso ao café. A venda do produto já é proibida aos estudantes desde 2013, mas os alunos conseguiam burlar a regra e comprá-lo nos distribuidores automáticos reservados aos professores.

Em uma declaração, o ministério da Segurança Alimentar e dos Medicamentos disse que “café demais é nefasto para a saúde dos mais jovens e pode provocar náuseas e problemas de ritmo cardíaco”. A proibição é uma resposta ao alto consumo de cafeína na Coreia do Sul, país de grande exigência no desempenho escolar e onde a maior parte das crianças e adolescentes têm aulas particulares até tarde.

O governo quer, portanto, erradicar o hábito de consumir a bebida para poder permanecer acordado e produtivo. A proibição tem o “intuito de criar práticas sadias entre as crianças e os adolescentes”, segundo o ministério. A Coreia do Sul também proibiu as publicidades sobre o açúcar e bebidas cafeinadas na televisão.

Proibição não ataca a raiz da questão

Apesar do chá ter sido a bebida tradicional na Coreia do Sul durante anos, nas últimas décadas o café tem dominado o país asiático. A nação já se tornou o sétimo maior importador no mundo e, em média, os coreanos bebem 512 taças de café por ano.

Tanta popularidade gerou diversas críticas contra a proibição nas escolas. Muitos lembraram que não será complicado para as crianças ter acesso às bebidas cafeinadas fora dos estabelecimentos escolares, nos pyeon eui jeom, por exemplo, os supermercados que estão por toda a parte e ficam abertos 24h por dia.

A medida também é considerada hipócrita e pouco efetiva por quem critica a imensa pressão escolar que as crianças e os adolescentes sofrem – um problema social que exige uma solução mais elaborada. Muitos falam em “infância sacrificada”. A Coreia do Sul tem a maior taxa de suicídio entre os jovens de 10 a 19 anos. Ao proibir o café nas escolas, o governo ataca um sintoma, mas ignora a raiz do problema.

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