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Europa deve reagir ao populismo xenófobo e às manobras de Putin

Europa deve reagir ao populismo xenófobo e às manobras de Putin
 
Sede da União Europeia, em Bruxelas. REUTERS/Yves Herman

Na Europa, os imigrantes são um pretexto:  nada melhor do que um bode expiatório para criar medo e ressentimento. Sobretudo nos rincões rurais ou periféricos que praticamente nunca viram um refugiado estrangeiro. Onde populações marginalizadas e empobrecidas não têm meios profissionais ou culturais para acompanhar as profundas mudanças sociais contemporâneas.

Se sentindo abandonadas pelo poder público e pelos seus concidadãos dos centros urbanos mais dinâmicos, elas são buchas de canhão perfeitas para os partidos nacionalistas e xenófobos. Tanto da extrema-direita quanto da extrema-esquerda, cujos discursos de ódio social estão cada vez mais próximos. A cada eleição, esses movimentos antissistema ganham votos e chegam a representar até um quinto do eleitorado.

Claro, ainda estão longe de ser maioria. Mas a sua simples presença exaltando a intolerância e o racismo, e propondo acabar com a integração europeia e se entrincheirar nas fronteiras nacionais nas mãos de salvadores da pátria, cria um clima de violência permanente, verbal e física.

Há poucos dias, na cidade de Chemnitz, na Alemanha oriental, o partido de extrema-direita AfD topou até ir para rua junto com grupelhos neonazistas para uma verdadeira “caça aos imigrantes”. E não adianta mostrar que eram só uns quatro mil extremistas, e que no dia seguinte, mais de 60.000 pessoas vieram manifestar contra esse tipo de comportamento. Com a informação contínua das televisões, rádios e redes sociais, o país caiu numa crise de nervos.

Partidos populistas no poder

Hoje qualquer incidente envolvendo um emigrante, repercute na Europa inteira e alimenta todo tipo de extremismo chauvinista. Basta olhar para as eleições legislativas na Suécia – provavelmente o país europeu mais tolerante e bem administrado – onde o antigo partido neonazista SD encaçapou 18% dos votos. Hoje, a extrema-direita populista compartilha o poder na Áustria, na Itália, na Hungria ou na Noruega.

E nos outros países do Velho Continente, os movimentos soberanistas extremistas, da esquerda e da direita, tem peso suficiente para influenciar diretamente a vida política.

Um clima de histeria social que está provocando o declínio e a fragmentação dos partidos de governo tradicionais. O resultado é que os países europeus estão cada vez mais ingovernáveis.

Os populistas nacionalistas – no poder ou não – são incapazes de propor e implementar soluções para os problemas da população, enquanto as forças políticas de sempre não conseguem mais gerar consensos internos sobre o que fazer.

A grande maioria das populações não quer saber de ódios chauvinistas. Mas está ficando refém de políticos oportunistas e sem bússola, incapazes de enfrentar os discursos extremistas.

O perigo principal é o derretimento da União Europeia. Há anos que a estratégia do presidente russo, Vladimir Putin, é desintegrar a construção europeia para sobrar como única grande potência do continente. A ideia é aproveitar a retirada dos Estados Unidos de Donald Trump para fazer da Rússia a potência hegemônica na região.

Aposta de Putin: fragmentação

O Kremlin decidiu apostar na fragmentação política de cada Estado membro ajudando, sem distinção ideológica, qualquer partido extremista europeu que queira acabar com a União Europeia.

As armas são a propaganda massiva pelas televisões e sites russos, falsas notícias, ingerências nas redes sociais e nas eleições, e até financiamentos e acordos de cooperação com partidos da extrema-direita. Isso está criando um problema de segurança séria para os governos europeus.

Como continuar compartilhando informações sobre a luta antiterrorista, ou o extremismo político, com os serviços de segurança austríacos, italianos ou húngaros, quando os partidos de extrema-direita que fazem parte desses governos passaram acordos de cooperação formais com o Kremlin e recebem dinheiro da Rússia?

Para não virar uma colônia russa, a Europa vai ter que reagir e isso passa por uma resposta séria às provocações do populismo xenófobo e às manobras de Putin. A eleição para o Parlamento Europeu, em 2019, vai ser a mãe de todas as batalhas. Quem sair vencedor vai decidir se a Europa de amanhã será aberta ou fechada, forte e independente ou fraca, submissa e violenta.


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