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Mundo

Rússia e Turquia se desentendem em cúpula sobre ofensiva contra cidade síria

media Vladimir Poutine, Hassan Rohani et Recep Tayyip Erdogan durante a coletiva de imprensa em Teerã. Kirill Kudryavtsev/Pool via REUTERS

Teerã foi palco da cúpula sobre a Síria nesta sexta-feira (7), que reuniu os chefes de Estado do Irã, da Rússia e da Turquia. O presidente turco Recep Tayyip Erdogan e o russo Vladimir Putin não entraram em acordo sobre o cessar-fogo na cidade síria de Idlib, importante para os rebeldes e jihadistas e que sofre atualmente uma ofensiva do regime.

O objetivo da reunião era justamente decidir o futuro de Idlib, província do norte da Síria e que faz fronteira com a Turquia. Rússia e Irã apoiam o governo de Bashar al-Assad, mas Erdogan faz oposição a um ataque de tamanha intensidade e que pode provocar um êxodo para a Turquia, país que já acolheu cerca de três milhões de refugiados sírios.

“Se a expressão ‘cessar-fogo’ estivesse escrita aqui, essa declaração seria muito mais pertinente”, disse Erdogan, durante o debate com os outros presidentes, sobre o comunicado final da cúpula. A decisão será transmitida na televisão.

“O fato é que não há nenhum representante dos grupos armados aqui nessa mesa. Ninguém do grupo Estado Islâmico, nem das Forças Armadas sírias”, disse Vladimir Putin, argumentando que isso facilitou a decisão de não parar a ofensiva. “Concordo com Erdogan que um cessar-fogo seria melhor. Mas não podemos nos assegurar que o uso de drones armados [pelos rebeldes e pelos jihadistas] vai ser interrompido”.

“Não quero que Idlib se transforme num banho de sangue”

A troca de farpas entre os dois é uma rara manifestação pública de desacordo entre a Turquia e a Rússia, dois países que estão sempre em acordo sobre a Síria desde o ano passado. Ancara, que condena os ataques contra Idlib desde o início, reiterou sua posição durante a cúpula.

A iniciativa pode “resultar em uma catástrofe, um massacre e um drama humanitário”, disse Erogan. “Não queremos que Idlib se transforme num banho de sangue. Devemos encontrar uma saída que leve em conta todas as preocupações de todos os países.”

Uma das soluções propostas pelo chefe de Estado turco foi a possibilidade de transferir combatentes para lugares onde eles não poderão atacar a base aérea russa de Hmeimim na Síria, vítima recorrente de ataques de drones, de acordo com Moscou.

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