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Mundo

ONU afirma que continuará lutando por libertação de dois jornalistas presos em Mianmar

media Jornalistas da agência Reuters pouco após veredito condenando os dois a sete anos de prisão, setembro 2018 REUTERS/Ann Wang

A justiça birmanesa condenou a sete anos de prisão dois jornalistas da agência Reuters acusados de "violar o segredo de Estado" depois de uma investigação sobre um massacre de rohingyas executado pelo exército de Mianmar. O julgamento abala ainda mais a imagem da Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi.

A condenação foi anunciada pelo juiz Ye Lwin. Pouco depois, o representante da ONU em Mianmar, Knut Ostby, afirmou que continuará pedindo a libertação dos dois profissionais de imprensa.

Wa Lone, 32 anos, e Kyaw Soe Oo, 28, que estavam em prisão preventiva desde dezembro de 2017, poderiam ser condenados a até 14 anos de prisão, após um julgamento muito polêmico em um país onde a independência do Judiciário é questionada. "O governo pode nos prender, mas não tapar os olhos e os ouvidos do povo", gritou Kyaw Soe Oo aos jornalistas presentes no tribunal antes de ser levado para uma viatura policial.

A condenação é um duro golpe à liberdade de imprensa, em crise em Mianmar apesar da esperança provocada pela chegada ao poder de Aung San Suu Kyi em 2016. A agência internacional de notícias Reuteurs denunciou a condenação e reiterou a solidariedade com os jornalistas. "Estes dois jornalistas admiráveis já passaram quase nove meses na prisão por acusações falsas destinadas a silenciá-los e a intimidar a imprensa", afirmou à Reuters em um comunicado.

Jornalistas queriam provar crimes do exército

"Os dois jornalistas corajosos conseguiram as provas de que o exército havia cometido crimes em massa contra os civis rohingyas, que as autoridades birmanesas tentaram acobertar", afirmou a ONG Fortify Rights. As autoridades acusaram os dois repórteres birmaneses de terem obtido documentos relacionados às operações das forças de segurança no estado de Rakhine, a região do noroeste de Mianmar em que aconteceu a perseguição dos rohingyas.

Os jornalistas investigavam a execução de integrantes da minoria muçulmana na localidade de Inn Dimm. Poucos dias depois de sua detenção, o exército reconheceu que soldados e habitantes budistas desta localidade mataram, a sangue frio, presos rohingyas em 2 de setembro de 2017. Sete militares foram condenados a 10 anos de prisão por este massacre.

União Europeia e Estados Unidos também solicitaram a libertação dos jornalistas. Apesar da pressão internacional, a justiça birmanesa manteve as acusações. "Se os documentos em posse dos jornalistas tivessem sido encontrados nas mãos dos terroristas, estes poderiam ter planejado facilmente novos ataques", alegou o promotor Kyaw Min Aung.

Contexto de grande tensão

A sentença foi anunciada em um momento de grande tensão entre Mianmar e a comunidade internacional. Investigadores da ONU publicaram um relatório no qual classificam de "genocídio" a perseguição contra os rohingyas, acusam diretamente o exército e criticam o silêncio da dirigente birmanesa Aung San Suu Kyi, vencedora do Nobel da Paz. No sábado (1), mais de 100 manifestantes pediram a libertação dos jornalistas em nome da liberdade de imprensa.

Mais de 700.000 rohingyas tiveram que fugir de Mianmar entre agosto e dezembro de 2017, após uma ofensiva do exército birmanês iniciada em represália aos ataques de rebeldes rohingyas contra postos de fronteira, uma perseguição que a ONU primeiro chamou de "limpeza étnica" e agora classifica de "genocídio".

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