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Mundo

Peregrinação a Meca começa com aplicativos de ajuda e sem muçulmanos do Catar

media Peregrinos fazem selfie antes do início do ritual religioso em Meca. REUTERS/Zohra Bensemra

Mais de dois milhões de muçulmanos do mundo todo começaram neste domingo (19), sob um sol escaldante e temperaturas próximas de 40 graus, a grande peregrinação anual a Meca, na Arábia Saudita.

O ritual chamado "hajj", em árabe, é um dos cinco pilares da religião islâmica, obrigatório, pelo menos uma vez na vida, para todo muçulmano em boa saúde e com dinheiro para a viagem. Cerca de 70% dos peregrinos são estrangeiros, indicou o Ministério do Interior saudita.

A peregrinação de 2018 acontece num contexto de crescente repressão de opositores na Arábia Saudita, apesar das reformas de modernização da monarquia adotadas pelo príncipe Mohammed bin Salman. A celebração religiosa costuma ser marcada pelas tensões geopolíticas na região. Este ano, a ruptura das relações diplomáticas entre Riad e Doha, ocorrida em junho de 2017, impede os muçulmanos do Catar de participar do ritual.

A monarquia saudita impôs um embargo terrestre, aéreo e marítimo ao vizinho, acusando os dirigentes de Doha de apoiar grupos islâmicos radicais, o que o Catar nega. Cerca de 1.200 cidadãos do Catar deveriam participar da peregrinação, de acordo com um sistema de cotas por país, mas fiéis catarianos relatam não ter conseguido se registrar no site do Ministério da Peregrinação saudita. "O registro dos peregrinos do Estado do Catar permanece fechado e os moradores do Catar não podem obter vistos porque não há missão diplomática" em Riad, afirmou hoje um representante do governo em Doha. No ano passado, a Arábia Saudita fez um movimento em direção ao Catar, facilitando as condições de entrada de um número reduzido de peregrinos originários do país.

Já as tensões entre Riad e Teerã não impedem os iranianos de ir a Meca. O governo saudita liberou milhares de vistos aos peregrinos iranianos, dando preferência aos fiéis com mais de 50 anos. Riad acredita que essa medida reduz o risco de distúrbios envolvendo iranianos, que são da corrente xiita do Islã, enquanto os sauditas são sunitas.

Peregrinação traz novidades tecnológicas

Além de representar um desafio logístico e de segurança, a peregrinação a Meca tornou-se um evento econômico crucial para a monarquia saudita e já é a segunda maior fonte de receita anual do país, depois das exportações de petróleo.

Este ano, aplicativos inteligentes ajudam os peregrinos a encontrar seus caminhos e evitar pisoteamentos e mortes, como aconteceu em várias ocasiões no passado. Em 2015, um movimento brusco da multidão causou a morte de 2.300 fiéis, incluindo centenas de iranianos.

Cabines minúsculas com ar-condicionado, colchão e lençóis, que lembram os "hotéis cápsula" japoneses, permitirão que os fiéis descansem durante as etapas do ritual. As cabines de 2,64 metros quadrados e 1,2 metro de altura foram fabricadas em fibra de vidro para proteger do sol e podem ser colocadas umas sobre as outras para economizar espaço.

Os peregrinos com problemas de saúde também podem contar com aplicativos para obter atendimento médico de emergência e pulseiras eletrônicas com informações sobre seu estado de saúde.

Para ajudar a grande maioria dos peregrinos que não falam árabe, uma equipe de 80 tradutores está à disposição 24 horas, para traduções simultâneas em inglês, francês, farsi, malaio, haussá, turco, chinês e urdu.

As etapas do ritual

"Ihram", a sacralização:

O hajj tem várias etapas codificadas. Quando chega a um perímetro estabelecido ao redor de Meca, o fiel deve purificar-se e vestir apenas peças de tecido branco sem costura para os homens, enquanto as mulheres usam roupas que cobrem o corpo todo, com exceção das mãos e do rosto. Os peregrinos não podem usar perfume nem cortar o cabelo ou as unhas. Devem abster-se de qualquer discussão ou relação sexual.

"Tawaf":

Em sua chegada a Meca, o peregrino deve dar sete voltas em torno da Kaaba, uma construção cúbica em torno da qual se construiu a Grande Mesquita e em direção à qual os muçulmanos rezam cinco vezes ao dia. Se têm condições, a cada volta eles devem beijar uma pedra negra incrustrada em uma das esquinas da Kaaba.

"Sa'i":

Em seguida, os fiéis devem fazer sete vezes a caminhada entre Safa e Marwa, dois lugares próximos à Grande Mesquita e distantes de 400 metros, seguindo os passos de Hajar, esposa do profeta Abraão, que, segundo a tradição muçulmana, fez o trajeto em busca de água para seu filho, o profeta Ismail, até que a fonte de Zamzam surgiu a seus pés. Depois disso, o fiel se desloca para o vale de Mina, cinco quilômetros ao leste, onde deve pernoitar.

Monte Arafat:

Ao amanhecer, os fiéis seguem para o Monte Arafat, também conhecido como a Montanha da Misericórdia, momento culminante para a peregrinação. A etapa é dedicada a orações. De acordo com a tradição islâmica foi no Monte Arafat que o profeta Maomé pronunciou o sermão de adeus aos muçulmanos que o acompanharam na peregrinação ao final de sua vida.

Apedrejamento das colunas:

Ao cair da noite, os peregrinos se dirigem a Muzdalifa para se preparar para o Aid al Adha, a festa do sacrifício, que consiste em imolar um cordeiro em memória de Abraão, que, segundo a tradição muçulmana, esteve a ponto de imolar o filho Ismael diante do arcanjo Gabriel, que no último momento mandou que o substituísse por um animal. Os fiéis realizam em seguida o apedrejamento das três colunas que representam Satã em Mina. No primeiro dia devem jogar sete pedras contra a maior das colunas e durante os dois dias seguintes 21 pedras contra os três pilares, grande, médio e pequeno.

Foi durante o ritual de apedrejamento que um tumulto provocou a morte de quase 2.300 peregrinos em 2015. A peregrinação termina com novas voltas em torno da Kaaba.

A visita à cidade de Medina, onde se encontra o mausoléu do profeta Maomé, é facultativa e pode ser realizada antes ou depois do hajj.

Antes do Islã:

A peregrinação é inspirada em uma tradição anterior ao Islã, que remonta a Abraão, patriarca bíblico venerado por muçulmanos, judeus e cristãos. A Kaaba abrigava centenas de ídolos pré-islâmicos, destruídos no ano 630 por Maomé durante seu retorno triunfal à Meca.

A peregrinação termina na próxima sexta-feira.

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