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Mundo

Mudanças climáticas: a Terra prestes a virar uma panela de pressão?

media Les stations de sport d'hiver des Alpes françaises, confrontées au changement climatique, s'interrogent sur leur avenir. © RFI/Bruno Faure

A Terra estaria em vias de se transformar em uma bomba-relógio? É um risco não negligenciável, segundo um novo estudo publicado nos relatórios da Academia de Ciências norte-americana, apesar dos compromissos assinados no Acordo de Paris.

A discussão gira em torno da possibilidade de que as temperaturas atuais possam provocar uma série de reações climáticas em cadeia, acelerando muito o efeito estufa, apesar dos esforços que possam ser feitos para contê-lo.

“Retroação” e “efeito cascata” são dois termos que deixam os climatologistas em polvorosa, pois incluem fenômenos que podem ter grandes amplitudes e sobre os quais não temos quase nenhum controle. Por exemplo, o derretimento da placa de gelo da Groenlândia modifica a circulação das águas do oceano Atlântico, o que acaba favorecendo ainda mais o degelo. Esse fenômeno é uma retroação.

O efeito cascata vem do degelo da placa, que aumenta o nível das águas, estimulando o aquecimento no atlântico sul, que, por sua vez, leva ao derretimento da calota antártica. O fenômeno desencadeia assim retroações e efeitos cascatas que aceleram a máquina climática.

Ponto sem retorno?

Os autores desse novo estudo tentaram determinar se existe um ponto sem retorno, quando o aumento da temperatura seja tal que, não importa o que seja feito para evitar, o processo vai ser desencadeado e a Terra vai se transformar em uma "panela de pressão".

Os pesquisadores propõem uma primeira estimativa: dois graus a mais em relação à era pré-industrial, limite extremo do Acordo de Paris. Um objetivo que não poderá ser mantido se a humanidade não começar seriamente a fazer todo o possível imediatamente para combater o aquecimento global.

Para isso, e os pesquisadores não escondem, será preciso mudar profundamente os comportamentos, as sociedades e a nossa economia.

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