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Mundo

Bangladesh quer enviar 100 mil rohingyas para ilha deserta

media Refugiados rohyngias em acampamento na Birmânia REUTERS/Soe Zeya Tun

Em busca de uma solução para enfrentar o número crescente de refugiados, o governo de Bangladesh pretende transferir, em setembro, uma parte dos cerca de um milhão de rohingyas para Bhasan Char, uma ilha situada na costa do país atingida com frequência por inundações.

O projeto, que está recebendo críticas de ONGs e das Nações Unidas, é controverso, analisa o jornal Le Monde, que divulga os dados de um relatório sobre o assunto publicado nesta segunda-feira (6) pela Organização Human Rights Watch. Para a ONGs, essa transferência visando os muçulmanos de Mianmar, a antiga Birmânia, forçados ao exílio em países vizinhos para fugir da repressão, “os isola ainda mais”.

Sem contar que o risco da ilha desaparecer do mapa é real. Cercada pelo rio Meghna, no sul do Banglasdesh, ela poderia ser completamente inundada no caso de um ciclone mais potente. A organização também lamenta o desrespeito ao livre-arbítrio dos refugiados. Segundo a Human Rights Watch, nenhum rohingya está indo para ilha de livre e espontânea vontade.

O governo de Dacca argumenta que a transferência acontecerá na base do voluntariado ou, na pior das hipóteses, por sorteio. “Não se trata de um campo de concentração”, disse o conselheiro do primeiro-ministro, Sheikh Hasina. Entretanto, ele disse que os refugiados serão submetidos a um certo número de restrições, deixando entender que eles seriam, “virtualmente”, prisioneiros.

Acampamentos estão superlotados

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados recentemente se declarou contrário à solução encontrada pelo governo de Dacca, mas a situação das centenas de milhares de rohingyas que chegaram em Bangladesh é tão problemática que o Executivo busca alternativas urgentes para “descongestionar” os acampamentos de refugiados. Nesses locais, cada pessoa dispõe aproximadamente de 10,7 m2 para viver. As condições precárias de vida geram violência e se tornam incontroláveis, diz a polícia local.

Os rohingyas não querem voltar para a Birmânia, de onde partiram sob ameaça, deixando para trás vilarejos incendiados. O governo de Mianmar declarou que aceitará o retorno daqueles que não tenham, comprovadamente, nenhuma ligação com a guerrilha ARSA, formada por integrantes da minoria muçulmana, e que desencadearam os conflitos com as forças do país.

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