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“É melhor ser negro na Rússia do que no Brasil”, diz músico que trocou São Paulo por Kazan

“É melhor ser negro na Rússia do que no Brasil”, diz músico que trocou São Paulo por Kazan
 
Emerson Pinzindin, nome artístico escolhido em homenagem a Pixinguinha. E. Ramalho

O sol se põe em meio ao vaivém de moradores e turistas que circulam pela principal rua de Kazan, uma das cidades escolhidas como sede da Copa na Rússia. Tranquilamente, o paulista Emerson Pinto tira da mochila um aparelho de som e a flauta transversal. No chão, discos à venda e uma sacolinha para arrecadar dinheiro oferecido pelo público.

Enviado especial a Kazan

Em poucos minutos, um palco improvisado foi montado em frente a um dos restaurantes do famoso calçadão da cidade para um novo concerto ao ar livre. Entra em cena Emerson Pinzindin, nome artístico escolhido em homenagem a Pixinguinha. O repertório é eclético, mas sempre começa com alguns dos clássicos do choro.

“O nível musical da Rússia é muito alto. Eu me sinto lisonjeado de ganhar a vida aqui, com um relativo sucesso, não só por ser diferente. Não é só pelo impacto visual. Eles ouvem, se não for bom, tchau, não tem público”, afirma.

O espaço foi conquistado em um intervalo de tempo relativamente curto. Há apenas dois anos ele saiu de São Paulo para se instalar na capital da República do Tatarstão, interior da Rússia. Casado com uma russa no Brasil há 11 anos, Emerson decidiu largar a carreira de músico no próprio país para tentar uma nova vida em Kazan, terra natal da esposa.

“O Brasil começou a se convulsionar e ficou muito problemático. Eu quero ter filhos e tranquilidade. Aqui é uma cidade cosmopolita, universitária e turística. É um frenesi o tempo todo, no inverno e no verão”, justifica.

“Aqui não sou suspeito”

Emerson se surpreendeu com a facilidade com que se adaptou a um cultura e a um povo tão diferentes e percebeu rapidamente que havia desenvolvido uma percepção equivocada do país que o acolheu.

“Ser negro na Rússia é melhor do que ser negro no Brasil. O Brasil, infelizmente, é extremamente racista. Eu saí também um pouco por causa disso. Eu já estava ficando neurótico porque te perseguem tanto e você introjeta isso. Aqui eu ando e respiro livremente, não sou suspeito. No Brasil, o negro é eternamente suspeito, ele tem que provar a todo momento que é direito, honesto e íntegro”, revela. “Eu fiquei abismado com a capacidade dos russos de absorverem as pessoas. Eles são miscigenados também. Aqui, as pessoas tem traços orientais, de mongol”, explica, em referência à influência histórica do povo da Mongólia na região. 

O paulista Emerson Pinto E. Ramalho

Depois da temporada de verão, Emerson toca em shows em ambientes fechados, como bares, restaurantes, hotéis e eventos particulares como festas e recepções. Ele toca sozinho ou acompanhado de outros músicos, principalmente cubanos. Assim como nos concertos nas ruas de Kazan, o brasileiro se adaptou às exigências do público local, e costuma terminar suas apresentações cantando “Ai se eu te pego”, de Michel Teló, e La Bamba, em espanhol.

“O choro aqui não é conhecido, a música não é tão conhecida. Só conhecem um pouco de bossa-nova, do Tom Jobim, principalmente quem trabalha com música. Eles gostam muito de música latina, cantada em espanhol. Faz sucesso aqui. Tem que tocar de tudo, é como uma rádio, um leque grande”, comenta. “No dia a dia, as pessoas querem de tudo, coisas variadas. Essa é a fórmula que funciona, não só na Rússia, como no Brasil e em todo o mundo”, afirma.


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