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Mundo

Trump vai embora mais cedo da cúpula do G7, mas tenta adotar tom conciliador

media Donald Trump chegou atrasado e foi embora mais cedo da cúpula, mas tentou traquilizar os colegas. REUTERS/Yves Herman

Donald Trump deixou, neste sábado (9), a cúpula do G7 quatro horas antes do final oficial da reunião. Apesar das tensões entre os Estados Unidos e os demais países do grupo em razão das medidas protecionistas anunciadas por Washington, o presidente norte-americano tentou tranquilizar seus aliados e chegou a propor a criação de uma zona de livre comércio do grupo.

Antes de deixar o Canadá para voar para Singapura, onde se encontra com o líder norte-coreano, Kim Jong Un, na terça-feira (12), o presidente dos Estados Unidos tentou acalmar seus seis parceiros. "Tivemos discussões extremamente produtivas sobre a necessidade de um comércio justo", disse ele, que convidou os outros membros do grupo a pensar na possibilidade de criar uma zona de livre comércio entre os sete.

"Eliminar tarifas alfandegárias, eliminar barreiras não-tarifárias, suprimir subsídios", foi a proposta que Trump lançou durante sua coletiva de imprensa final. "Eu não sei se vai funcionar, mas propus", disse o líder norte-americano, que acaba de impor novas tarifas de importação sobre o aço e o alumínio, muito criticadas pelos outros membros do G7. 

"Estados Unidos não podem mais ser o cofrinho do mundo"

Apesar do tom apaziguador, Trump lançou um alerta para aqueles que tentem revidar às taxas impostas por Washington. “Se eles replicarem, cometerão um erro”, disse o presidente. Lembrando que a União Europeia prevê retaliar as medidas americanas com novas taxas sobre a importação de Bourbon e das motos americanas.

Trump também disse que não tem nada contra os líderes do G7, e que suas decisões são uma resposta às políticas adotadas por seus antecessores, que colocaram os Estados Unidos em uma posição enfraquecida do ponto de vista econômico. "Nós não somos o cofrinho do mundo. Isso tem que parar”, lançou o republicano.

Sobre o Irã, outro assunto fonte de divergência após a saída de Washington do acordo internacional sobre o programa nuclear de Teerã, o republicano declarou que "as nações do G7 estão empenhadas em conter as ambições nucleares" iranianas. Ainda resta saber se esse gesto conciliatório da parte de um presidente que dedicou apenas 24 horas aos seus aliados (Canadá, França, Alemanha, Itália, Reino Unido e Japão) resultará em uma declaração comum.

A França informou que as discussões estão "indo na direção certa". Há uma "forte probabilidade" de um comunicado comum entre os sete, que, no entanto, incluiria todas as divergências americanas sobre a questão da mudança climática, de acordo com Paris.

Modernizar a OMC e integrar a Rússia em um G8

Em relação ao comércio, as negociações levariam a um apelo à modernização da Organização Mundial do Comércio (OMC), órgão frequentemente criticado por Trump. A chanceler alemã, Angela Merkel, garantiu que os líderes do G7 estavam de acordo com um posicionamento comum em relação a esta questão. "Parto do princípio que haverá um texto comum sobre o comércio. Mas isso não resolverá os problemas em seus pormenores. Temos concepções diferentes dos Estados Unidos", explicou.

O presidente americano também voltou a lançar a ideia de retornar ao formato do G8, com a reincorporação da Rússia, excluída em 2014 após a anexação da Crimeia. "Seria algo positivo", disse o magnata de 71 anos. Mas os europeus já rejeitaram a ideia, e a própria Rússia recusou o convite. O chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, afirmou que Moscou "nunca pediu para voltar" ao G8 e acredita que o G20, um fórum que se estende aos países emergentes, é "o formato mais promissor".

Num futuro imediato, a Rússia está mais preocupada em se aproximar da China e do Irã. Os chefes de Estado desses três países estão reunidos para a cúpula anual da Organização de Cooperação de Xangai (OCS) na grande cidade costeira de Qingdao.

Seja qual for o resultado do G7, a cúpula voltou a ressaltar a clara vontade de Donald Trump de ditar sua agenda. O presidente dos Estados Unidos, com a cabeça na reunião com Kim Jong Un, chegou 45 minutos atrasado neste sábado para um café da manhã dedicado à igualdade entre os sexos e simplesmente não compareceu a uma sessão sobre as mudanças climáticas.

Na sexta-feira (8), o presidente americano já havia sido o último a chegar ao hotel onde acontece a o encontro do G7. Trump nunca escondeu que dava mais importância à sua cúpula de terça-feira com Kim do que a esta reunião familiar entre antigos aliados. "É uma ocasião única", disse ele neste sábado, referindo-se ao encontro com o líder norte-coreano.

(Com informações da AFP)

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