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Mundo

Revista chama presidente turco de “ditador” e militantes atacam bancas de jornais

media Capa da revista Le Point, "O Ditador" Reprodução

A revista francesa Le Point causou polêmica ao chamar o presidente turco Recep Tayyip Erdogan de “O ditador”. A capa da publicação na edição da semana passada não agradou a uma parte da comunidade turca na França, que apoiam o chefe de Estado.

Revoltadas com o que consideraram um insulto a Erdogan, algumas pessoas pressionaram uma banca a não mostrar os cartazes da Le Point, enquanto outras tentaram retirar à força as imagens. Um vídeo feito na última sexta-feira (18) na cidade de Pontet, no sul do país, mostra um pequeno grupo de turcos exigindo a retirada da propaganda da revista e o responsável da banca, com medo, cedendo aos pedidos.

Alertada do incidente, a prefeitura do município exigiu que os cartazes fossem postos novamente em seus lugares. “Se começarmos hoje a ceder diante da intimidação e das ameaças por causa de uma revista, amanhã vamos retroceder com relação a vários assuntos”, declarou Xavier Magnin, diretor do gabinete do partido de extrema-direita Frente Nacional da prefeitura de Pontet.

No domingo (20) pela manhã, os cartazes de Pontet foram cobertos por imagens pró-Erdogan. Militantes do partido turco conservador AKP também retiraram as propagandas da Le Point na cidade de Valence, no sudoeste do país. O prefeito, Nicolas Daragon, do partido Os Republicanos, disse que “esses comportamentos me chocam. Nossos antepassados lutaram para defender a liberdade de expressão”.

Reações diversas na França e na Turquia

O caso mostra a força da rede de Erdogan mesmo fora das fronteiras turcas – país onde a imprensa de oposição praticamente não existe mais. No Twitter, o presidente francês Emmanuel Macron reagiu à retirada dos cartazes da Le Point.

“É inaceitável que as publicidades da Le Point sejam retiradas das bancas de jornal sob a justificativa de que elas incomodam os inimigos da liberdade, tanto na França como no exterior. A liberdade de imprensa não tem preço: sem ela, estamos na ditadura”, afirmou.

A ministra da Cultura Françoise Nyssen também usou a rede social para se manifestar: “A liberdade de imprensa depende da liberdade de distribuição. Não podemos tolerar nenhuma ameaça contra as bancas de jornal. Inaceitável”.

A revista também deu resposta aos ataques sofridos, chamando a atenção para uma “campanha de assédio” contra sua capa. “Após uma semana de insultos, intimidações, injúrias antissemitas e ameaças nas redes sociais, agora os simpatizantes do AKP atacam os símbolos da liberdade de expressão e da pluralidade da imprensa”, diz o comunicado do grupo.

A chefe da diplomacia turca Mevlut Cavusoglu respondeu às críticas da comunidade francesa e do presidente da República, afirmando que a “democracia não se limita a aceitação de insultos e mentiras, mas também a sensibilidade do outro. É por isso que a comunidade turca na França expressa sua reação cidadã e democrática”.

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