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Mundo

Comunidade internacional teme escalada de violência em Gaza

media Manifestantes na fronteira da Faixa de Gaza em protesto contra abertura da embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém REUTERS/Amir Cohen

Se Estados Unidos e Israel celebram a transferência da embaixada norte-americana para Jerusalém, os representantes da diplomacia de vários países demonstraram preocupação diante da repressão às manifestações palestinas na Faixa de Gaza nesta segunda-feira (14). Dezenas de pessoas morreram e mais de 2 mil ficaram feridas.

Segundo o balanço divulgado na noite de segunda-feira, 14, pelo menos 52 pessoas morreram e centenas ficaram feridas vítimas de disparos do exército israelense contra manifestantes em Gaza. Os palestinos protestavam contra a inauguração da embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém durante a tarde.

O governo palestino, baseado na Cisjordânia ocupada, acusou Israel de cometer um “massacre”. O presidente da Autoridade Palestina Mahmud Abbas, declarou três dias de luto e convocou uma greve geral na terça-feira (15).

“Nós condenamos fortemente as atrocidades cometidas pelas forças israelenses de ocupação”, declarou Riyad Mansour, embaixador palestino nas Nações Unidas. “Se o que está acontecendo na Palestina fosse em qualquer outro país, a indignação seria enorme e haveria uma ação do Conselho de Segurança”, lançou o diplomata.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse estar "particularmente preocupado" com a situação em Gaza. Porém, ele não sinalizou nenhuma ação específica do Conselho de Segurança.

O governo turco afirma que os norte-americanos também são responsáveis pela escalada de violência. “Infelizmente, os Estados Unidos se colocaram do lado do governo israelense nesse massacre de civis e se tornaram cúmplices nesse crime contra a humanidade”, declarou o primeiro-ministro turco Binali Yildirim.

Brasil lamentou as tensões em Gaza

Brasília também se exprimiu diante das tensões. "Lamento profundamente os terríveis episódios de violência na fronteira entre Israel e a Palestina. Nossa solidariedade com os feridos e as famílias dos mortos. O Brasil faz um apelo à moderação, um chamado à paz", escreveu o presidente Michel Temer no Twitter. Mesmo tom do lado da Espanha e do Reino Unido, que pedem moderação, assim como Federica Mogherini, chefe da diplomacia europeia.

Já os representantes da Noruega e Bélgica chamam a atenção para o uso desproporcional da força, com balas de verdade, para conter manifestantes.

A França condenou com firmeza a violência durante as manifestações. O presidente francês Emmanuel Macron alertou para as “repercussões” da decisão norte-americana de reconhecer Jerusalém como capital de Israel. O chefe de Estado também informou que pretende “falar com todos os representantes da região nos próximos dias”. Macron disse que "os palestinos têm direito à paz e segurança". 

Banho de sangue e crime de guerra

A Anistia Internacional denunciou uma "violação abjeta" dos direitos humanos e "crimes de guerra" em Gaza. Já a ONG Human Rights Watch (HRW) denunciou "um banho de sangue".

O primeiro-ministro israelense Benyamin Netanyahu justificou o uso da força em nome da proteção da nação. “Todo país tem a obrigação de defender seu território”, declarou o chefe do governo em sua conta no Twitter. “A organização terrorista Hamas proclama querer destruir Israel e, para isso, envia milhares de pessoas abrir uma brecha nas barreiras de segurança. Vamos continuar agindo com determinação para proteger nossa soberania e nossos cidadãos”.

Na opinião dos Estados Unidos, "a responsabilidade por estas mortes trágicas é diretamente do Hamas", segundo declarou o porta-voz da Casa Branca, Raj Shah. O representante norte-americano acrescentou que este movimento está "provocando de propósito e cinicamente" e que Israel "tem o direito de se defender".

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