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Mundo

Iraquianos votam em eleição legislativa com alianças partidárias inéditas

media Eleitor iraquiano vota em uma seção eleitoral do bairro de Sadr, em Bagdá. REUTERS/Thaier al-Sudani

Quinze anos após a queda de Saddam Husseim, 24,5 milhões de eleitores votam neste sábado (12) para eleger um novo Parlamento no Iraque. A principal tarefa dos novos deputados será supervisionar a reconstrução de um país em frangalhos, após três anos de guerra contra os jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI).

Sami Boukhelifa e Richard Riffonneau, enviados especiais a Bagdá

 

Sete mil candidatos disputam as 329 cadeiras do Parlamento iraquiano. Cerca de 900 mil policiais e militares estão mobilizados para garantir a segurança da votação. As fronteiras e o espaço aéreo do país permanecem fechados durante todo o dia.

Em Bagdá, os eleitores começaram a votar desde a abertura das seções eleitorais, às 7h no horário local. Para evitar atentados a bomba, praticados com carros, caminhões ou motocicletas, as autoridades proíbiram o tráfego até a meia-noite. Com isso, os iraquianos caminham até as urnas para votar.

O esquema de segurança é ostensivo. De manhã, havia mais policiais e soldados nas seções eleitorais do que votantes. Geralmente, a participação é mais forte no começo da tarde, assegura o responsável pela seção instalada na escola Dijla, no centro de Bagdá.

Embora o grupo Estado Islâmico tenha sido derrotado pela coalizão internacional, os jihadistas não foram completamente erradicados e ameaçam a votação. Antes de depositar o voto na urna, os eleitores passam por vários postos de controle e são submetidos a revistas sistemáticas.

Guinada histórica

Exibindo o dedo indicador ainda manchado de tinta – o carimbo digital é a prova de participação –, o eleitor Qassem Jaafar se orgulhava de ter cumprido o dever cívico. "A cada nova eleição, há muita esperança e entusiasmo. Estou tentando convencer as pessoas a votarem. Eu digo a mim mesmo que isso ajudará meu país a seguir em frente."

Qassem Jaafar acredita que esta votação é crucial. "Vivemos um momento de guinada e há muitas razões para isso. Os partidos políticos superaram as divisões tradicionais. Estou admirado e seduzido por seus programas. É realmente importante o que está acontecendo no Iraque, quero enfatizar mais uma vez: os partidos formaram alianças heterogêneas e viraram a página em relação a diferenças confessionais e regionais. Hoje, a prioridade é nossa nação."

Mas nem todos os iraquianos compartilham o mesmo entusiasmo. Muitos ressaltam a corrupção endêmica e as dificuldades vividas pelos dois milhões de refugiados, expulsos de casa pelos jihadistas. 

O grupo partidário que recebe apoio do líder islâmico xiita Moqta al-Sadr, por exemplo, formou uma inusitada aliança com os comunistas. Na avaliação de Mohamed al Helfi, responsável pela campanha eleitoral do partido, não existe contradição nessa união entre os “turbantes” e “a foice e o martelo”, batizada de “A marcha pelas reformas”.

Para Karim Pakzad, pesquisador do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS), essas são as eleições mais importantes no Iraque desde a invasão americana, em 2003. “As últimas eleições foram marcadas por uma divisão comunitária e religiosa. No passado, os xiitas, que são maioria, tinham uma perspectiva unitária para dirigir o governo. Mas desta vez, o Iraque vai além da questão comunitária e é por isso que certas coalizões se tornaram possíveis”.

De acordo com a comissão eleitoral, as 8.443 seções de votação vão fechar às 18h no horário local. Os 329 assentos dos deputados serão atribuídos proporcionalmente ao número de sufrágios recebidos e os candidatos eleitos de acordo com sua posição nas listas.

Os primeiros resultados devem ser anunciados na terça-feira.

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