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Rabino brasileiro lança best-seller “A Alma Imoral” em Israel

Rabino brasileiro lança best-seller “A Alma Imoral” em Israel
 
O rabino brasileiro Nilton Bonder lança seu livro "A Alma Imoral", em hebraico, em Tel Aviv. Daniela Kresch/RFI

O rabino brasileiro Nilton Bonder realizou um sonho. Ele lançou em Israel a tradução em hebraico de um de seus livros, “A Alma Imoral” – best-seller no Brasil com mais de 300 mil cópias vendidas e traduzido para línguas como inglês, espanhol, alemão e italiano.

Adaptado para o teatro por Clarice Niskier, a peça “A Alma Imoral” está em cartaz no Brasil há 12 anos. O espetáculo que já atraiu mais de 400 mil espectadores é encenado atualmente no Rio de Janeiro. Em breve, a versão para o cinema, com direção de Silvio Tendler, estará em cartaz.

Em visita a Tel Aviv para o lançamento da tradução em hebraico do livro, que aconteceu em 26 de abril no Centro Cultural Brasileiro, o rabino gaúcho de 60 anos – que já lançou 18 obras com temas vistos sob uma ótica judaica – falou à RFI sobre como ele acha que o livro será recebido em Israel. Afinal, o país tem mercado editoral pequeno e, muitas vezes, reativo a livros com conteúdo judaico escrito por rabinos de comunidades de fora do país.

“Eu acho que essa reação vai ter mais impacto quando a gente trouxer a peça para cá”, disse Bonder. “O filme está sendo lançado agora no Brasil, no início do semestre. Talvez isso tenha um destaque maior na sociedade.”

Mensagem para Israel

Segundo Nilton Bonder, que é fundador e líder espiritual da Congregação Judaica do Brasil, com sede no Rio de Janeiro, o livro tem uma mensagem importante para Israel, um país que lida com guerras e terrorismo de forma cotidiana. A mensagem seria de que a diversidade de pensamento, mesmo quando supostamente imoral, é importante.

“Acho que é uma contribuição sim. Acho que tem uma coisa dura em Israel, uma dureza que vem da própria realidade. Esse país é um milagre, eu tenho muito respeito, eu não quero nunca trazer ‘a verdade’ para pessoas que tem uma experiência tão rica quanto os israelenses, que conhecem a vida na trincheira”, afirmou Bonder.

Aumento do antissemitismo

Nilton Bonder observa com preocupação o aumento da antissemitismo na Europa e no mundo em geral, pouco mais de sete décadas depois do fim da Segunda Guerra Mundial.

Para ele, o antissemitismo e o racismo veem da tendência das pessoas de se fecharem dentro de suas próprias tribos exatamente como primatas que podem agir com violência contra outros primatas.

“A gente se surpreende que essas coisas voltem, mas elas voltam porque dentro do ser-humano habita um macaco”, diz o rabino. “O que que é um macaco? É um animal em busca da sua sobrevivência e, mesmo em lugares muito civilizados, na Europa civilizada, em lugares que a gente fica sempre surpreso de que isso possa renascer, toda vez que você tem ameaças – da imigração, do terrorismo, da vida que é muito difícil, da competitividade, das questões todas da nossa época – reacende esses instintos animais. É um comportamento de macaco. Ele está presente em todos nós e a gente briga o tempo todo contra ele há milênios.”

Os judeus seriam alvo desse instinto tribal porque, segundo o rabino Bonder, representariam a transgressão e ideias contrárias a regimes estabelecidos, dos quais, por milênios, não fizeram parte por estarem à margem das sociedades como grupos minoritários.

Judeus são "sonhadores utópicos"

Historicamente, os judeus seriam reconhecidos como sonhadores utópicos, que almejam uma terra distante. É claro que muito mudou com a criação de Israel, que transformou os judeus do país em agentes mais pragmáticos. Mas o estereótipo continua.

“Acho que o judeu é odiado porque representa essa força civilizadora que é desconfortável aos interesses do stablishment, daquele que está no poder. Acho que esse é o lugar de onde o antissemitismo vem. Vozes têm que aparecer, o chamado a esse outro lado da humanidade, para que esse outro lado se contraponha”, acredita Bonder.

Para o rabino brasileiro, para lutar contra o antissemitismo e o racismo em geral, as pessoas precisam enfrentar seus próprios instintos primários e perceber que eles não representam os valores da Humanidade no século XXI.

“As pessoas devem pensar que existe dentro delas algo que faz coisas totalmente contrárias dos valores que elas têm. Temos que identificar esses pedaços, esses fragmentos que atuam muitas vezes por reações símias, “macacais”, protegendo interesses que temos, e assim combater esses pedaços dentro de nós”, diz o rabino. “Essa é a minha luta civilizadora: conter a mim mesmo”, conclui.

"A Alma Imoral", de Nilton Bonder, em hebraico. Daniela Kresch/RFI

 


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