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Mundo

Tribunal de Haia julga apelação de culpado por genocídio na Sérvia

media Radovan Karadzic perante o Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia (TPII), em 2016. Robin van Lonkhuijsen/ AFP

O julgamento da apelação de Radovan Karadzic, ex-dirigente dos sérvios da Bósnia, condenado em 2016 a 40 anos de prisão por genocídio, será realizado na segunda-feira (23), em Haia.

O julgamento será conduzido pelo Mecanismo para os Tribunais Penais Internacionais (MTPI), que tomou o lugar do Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia (TPII).

Em março de 2016, os juízes do TPII declararam Karadzic culpado de genocídio pelo massacre de 8.000 homens e meninos muçulmanos em julho de 1995, em Srebrenica, o pior massacre cometido na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Karadzic também foi condenado por perseguição, assassinatos, violações e tratamento desumano ou deslocamentos forçados, sobretudo durante o sítio de Sarajevo, que durou 44 meses e no qual morreram umas dez mil pessoas, e por implantar campos de detenção onde as "condições de vida eram desumanas".

Karadzic, que apresentou a apelação, avalia que os juízes "o consideram um suposto culpado e construíram um processo para justificar essa presunção", afirmou seu advogado após a condenação em primeira instância.

Após ter pedido a prisão perpétua, o promotor do TPII Serge Brammertz também entrou com uma apelação, consideram que 40 anos de prisão não eram uma pena suficiente.

Guerra dos Bálcãs

Radovan Karadzic é o mais alto dirigente julgado pelo tribunal de crimes cometidos na guerra dos Bálcãs, após a morte, em 2006, do ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic, durante o processo.

Karadzic era o presidente da entidade sérvia da Bósnia, a Republika Srpska. A guerra da Bósnia deixou mais de cem mil mortos e 2,2 milhões de deslocados entre 1992 e 1995.

Ratko Mladic, ex-chefe militar dos sérvios da Bósnia, conhecido como "Açougueiro dos Bálcãs", foi condenado pelo TPII em novembro à prisão perpétua por genocídio, crimes contra a humanidade e de guerra. Também anunciou que apelará de sua sentença.

(Com informações da AFP)

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