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Mundo

Ameaçados de morte, afegãos que colaboraram com exército francês têm pedido de visto negado

media Soldados da Otan no Afeganistão REUTERS/Mohammad Ismail

No Afeganistão, profissionais que colaboraram com o exército francês entre 2002 e 2012 hoje são vistos como traidores pelos talibãs e correm risco de vida, mas não recebem apoio da França. Mais de 800 afegãos, divididos entre profissionais da construção, cozinheiros e intérpretes, trabalharam para as tropas francesas – eles são chamados de “Civis de Recrutamento Local”.

O jornal francês Libération denuncia o descaso do governo francês, que não fornece proteção suficiente aos Civis de Recrutamento Local afegãos que ofereceram ajuda às tropas francesas durante sua atuação no país.

A reportagem conta a história de Zainullah, jovem intérprete de 27 anos que colocou a vida em perigo para servir às forças armadas francesas. Ele revela que, durante uma missão, mesmo sem ter permissão para estar armado, os oficiais do Exército lhe deram uma pistola para que “pudesse se defender”.

Após ter trabalhado por quatro anos como tradutor para as tropas em Uruzgan, Tagab e Uzbin – onde dez soldados franceses foram mortos em agosto de 2008 – Zainullah se encontra atualmente ameaçado pelos talibãs. Desde 2013 ele tenta vir para a França, mas todos os seus pedidos de visto, sendo o último em 2016, foram negados.

Impasse administrativo

“Estou desesperado, não sei mais o que fazer, nem a quem me dirigir. Ninguém me responde. Gostaria de saber porque me recusam o visto. Não é somente minha vida que está em perigo, mas também a de minha família. Eu trabalhei junto com os soldados franceses e agora me rejeitam sem razão”, declara Zainullah.

Em 2012, a administração francesa criou um mecanismo para avaliar os pedidos de visto dos cidadãos que colaboraram com o Exército, levando em conta as ameaças recebidas, a “qualidade dos serviços prestados” e a capacidade de se integrar na França. No total, 73 demandas foram aceitas. Aqueles que foram recusados, sem entender o motivo, se organizaram e criaram uma associação com a ajuda de advogados franceses.

Em março de 2015, eles se manifestaram na entrada da rua que leva à embaixada da França. O caso chamou a atenção dos jornais e o governo acatou a decisão de reexaminar mais 250 pedidos, dos quais 100 foram aceitos.

Sem perspectiva de futuro

Zainullah recebe ameaças frequentes, assim como seu pai. Em junho de 2017, dois homens encapuzados e armados dispararam contra ele, ferindo um braço e uma perna. Dois meses antes, um telefonema anônimo o tinha informado da possibilidade de um ataque, mas Zainullah não sabia mais o que fazer. “É claro que levo as ameaças à sério, mas o que posso fazer? Não vou mais ao mercado, às festas, aos casamentos. Não faço mais nada”, afirma.

Khodada, antigo Civil de Recrutamento Local, não encontrou mais trabalho desde sua última função como intérprete para as forças armadas. “O fato de que trabalhei para a Otan é mal visto. Muitas pessoas acreditam que os tradutores guiavam as forças aéreas e que eles são responsáveis pelas mortes de civis e pelos bombardeamentos”, declara.

A última possibilidade de deixar o Afeganistão para sobreviver é a tentativa de ir para a Europa de forma ilegal, como muitos fazem pelo preço de $10 ou $15 mil (cerca de R$50 mil). Zainullah hesita: “Até pouco tempo, eu teria dito não. É muito caro e há o risco de ser pego. Mas atualmente, não sei mais. Digo a mim mesmo que é minha última chance. Se não partir, serei morto”.

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