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Mundo

Êxodo de milhares de civis sírios em Guta Oriental e Afrin revela cenário aterrorizante

media Famílias sírias fogem da localidade de Hammouriyeh, cercada pelos tanques sírios em Guta Oriental. REUTERS/Omar Sanadiki

Milhares de civis fugiam neste sábado (17) de duas frentes de guerra na Síria. Em Afrin, enclave curdo no noroeste do país, o fogo da artilharia turca contra uma milícia curda já provocou o êxodo de 200 mil pessoas em quatro dias, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). Já no reduto rebelde de Guta Oriental, nas proximidades de Damasco, os bombardeios do regime de Bashar al-Assad, apoiado por seu aliado russo, mataram hoje pelo menos 30 civis na cidade de Zamalka.

Graças ao apoio da Rússia, o presidente sírio conseguiu reconquistar 70% do enclave rebelde de Guta, segundo o OSDH. Mais de 1.394 civis, incluindo 271 crianças, morreram desde o início da ofensiva, em 18 de fevereiro. Para escapar da escassez de água, alimentos e medicamentos, dos bombardeios e da morte, cerca de 10 mil pessoas deixaram o enclave neste sábado (17), elevando a 40 mil o número de civis que fugiram da área em apenas três dias, de acordo com o OSDH. Os civis não têm escolha senão buscar refúgio nas áreas controladas pelo regime, apesar dos temores de represálias, segundo a ONG.

Em Afrin, a Turquia e seus aliados sírios cercam esta cidade como parte da ofensiva lançada em 20 de fevereiro contra a milícia curda das Unidades de Proteção do Povo (YPG), acusada por Ancara de ser um grupo "terrorista", mas que é aliada dos Estados Unidos na luta contra grupos jihadistas.

A guerra na Síria, que começou após a repressão violenta do regime a manifestações pró-democracia em 2011, tornou-se um conflito complexo, com as grandes potências se enfrentando por meio do apoio a diferentes grupos presentes na área. O conflito já causou a morte de 350.000 mil pessoas, número considerado subestimado, e milhões de deslocados e refugiados.

Situação aterrorizante

Neste sábado, a televisão estatal síria exibia imagens do fluxo contínuo de civis chegando nas áreas controladas pelo exército. Mulheres idosas vestidas de preto, jovens exaustas caminhado em uma estrada empoeirada, carregando cobertores em seus braços.

As autoridades abriram abrigos improvisados nos arredores de Damasco para receber os deslocados, especialmente na cidade de Adra, no norte de Guta.

"Não temos onde dormir, não temos cobertores, só distribuíram um. As mulheres e as crianças se instalaram no chão", disse Abu Jaled, de 35 anos, que encontrou refúgio em uma escola convertida em abrigo temporário.

Enquanto o regime continua seu avanço na região, os grupos rebeldes islâmicos Jaish al-Islam, Faylaq al-Rahman e Ahrar al-Sham, cada um presente em um dos três setores assediados de Guta, se mostraram dispostos a "negociações diretas" com a Rússia, sob supervisão da ONU, para obter uma trégua.

Em Afrin, onde as forças pró-turcas cercam quase toda a cidade, 11 civis morreram neste sábado em um bombardeio ao tentarem sair da cidade, informou o OSDH. Os habitantes só têm um único corredor para fugir pelo sul para territórios controlados pelos curdos ou pelo regime.

"A situação é aterrorizante", diz o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman. "Houve combates violentos durante a noite na periferia norte da cidade de Afrin. As forças turcas e seus aliados sírios tentam entrar na cidade", relatou.

Na sexta-feira à noite, 16 civis morreram em um bombardeio turco contra o principal hospital da cidade de Afrin, de acordo com o OSDH. O exército turco negou esse ataque.

O bombardeio turco causou "destruição significativa" no hospital, o maior da região, que ficou "fora de serviço", de acordo com seu diretor Jiwan Mohamad, citado pela agência de notícias oficial síria Sana.

Com informações da AFP

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