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Reunião entre Trump e Kim Jong-Un pode afetar interesses da China

Reunião entre Trump e Kim Jong-Un pode afetar interesses da China
 
Fotomontagem com os líderes, Kim Jong-Un, Xi Jinping, Donald Trump Fred DUFOUR, Brendan SMIALOWSKI, Toru YAMANAKA / AFP

Depois de as duas Coreias darem sinais de aproximação, agora foi a vez do presidente americano, Donald Trump, aceitar o convite para conversar com o líder norte-coreano Kim Jong-un. No entanto, essa reunião, mesmo que traga esperanças de apaziguamento entre os dois países, preocupa o governo chinês.

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Pequim

Os chineses estariam desconfortáveis com uma saída negociada apenas entre Estados Unidos e Coreia do Norte. Temem ficar fora do processo e não ter os seus interesses atendidos. O presidente Xi Jinping foi o primeiro a ligar para Trump na sexta-feira (9). A China já disse que é fundamental o comprometimento dos Estados Unidos para uma saída pacífica na península coreana.

As Coreias retomaram a comunicação depois de passarem dois anos com a linha direta que existia entre os dois países cortada. E, se essa reunião entre o presidente americano Donald Trump e o norte-coreano, Kim Jong-un, acontecer de fato, será um feito histórico.

Muitos países estão com esperanças renovadas nesta janela de oportunidade que se abriu, mas especialistas afirmam que ainda é cedo para comemorar, por mais que os sinais sejam positivos. Faltaria ainda que os dois lados demonstrassem alguma flexibilidade em suas posições.

Para a China, chegou o momento de testar a sinceridade das partes no que diz respeito às negociações de paz na região. Foi o que disse na quinta-feira (8) o ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, em uma entrevista a jornalistas chineses e estrangeiros.

Ele já tinha feito a mesma observação em janeiro deste ano, quando alertou para o fato de que, sempre que a situação na Coreia do Norte se acalmava, as perturbações reemergiam.

Na ocasião, ele disse que a comunidade internacional precisava ver claramente quem estava querendo fazer um acordo de paz para a questão nuclear na península e quem gerava tensão nas negociações. Cautelosos, os chineses veem uma luz no fim do túnel, mas ainda não a solução final para a questão.

A China ainda defende a sua proposta original de “suspensão por suspensão”, que vinha sendo rejeitada por todas as partes desde o início e que defende o fim das sanções e exercícios militares em troca da interrupção do programa nuclear. Pequim considera que esta é a receita correta para resolver o problema e garante que foi o fator responsável pela criação de condições básicas para o diálogo entre as Coreias neste momento.

O ministro destacou a importância que teve para a relação o fato de a Coreia do Norte não ter feitos novos testes durante os Jogos Olímpicos de Inverno e a suspensão dos exercícios militares conjuntos entre sul-coreanos e americanos no mesmo período.

Interesses próprios

A China investe nesta proposta também por interesses próprios. Não quer uma Coreia do Norte fortalecida por um arsenal nuclear desconhecido e tampouco quer que os Estados Unidos e Coreia do Sul construam bases militares ou façam exercícios militares conjuntos na sua vizinhança. Mas os chineses também defendem que a saída diplomática seja bilateral e multilateral.

O fato é que os chineses estariam desconfortáveis com uma saída negociada apenas entre Estados Unidos e Coreia do Norte. Temem ficar fora do processo e não ter os seus interesses atendidos. O presidente Xi Jinping foi o primeiro a ligar para Trump na sexta-feira (9). A China já disse que é fundamental o comprometimento dos Estados Unidos para uma saída pacífica na península coreana.


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