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Mundo

Brasileiro, diretor-adjunto da ONU, anuncia saída depois de acusação de assédio sexual

media Luiz Loures é diretor-adjunto do Unaids, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS. www.unaids.org

O diretor-adjunto da Unaids, o brasileiro Luiz Loures, anunciou nesta sexta-feira (23) que não se recandidatará ao cargo. Em 2015, Loures foi acusado de ter abusado sexualmente de uma colega, mas acabou sendo absolvido em uma investigação interna das Nações Unidas.

O porta-voz da Unaids, Mahesh Mahalingam, disse à imprensa em Genebra que a decisão de Loures não tem relação com as acusações e destacou que ele foi absolvido dessas irregularidades na investigação interna da ONU.

Loures terminará suas funções na Unaids no final de março de 2018, acrescentou Mahalingam. “Luiz Loures comunicou ao diretor-executivo do organismo seu desejo de não se candidatar para a renovação do cargo", disse ainda nesta quarta-feira (23) a agência da ONU em um comunicado oficial.

Entenda o caso

Uma subordinada de Loures apresentou uma denúncia formal, alegando que o diretor-adjunto a assediou sexualmente desde que começou a trabalhar no organismo internacional em 2011 e que, depois, concretizou o abuso no elevador de um hotel de Bangcoc em 2015, onde a Unaids organizava uma conferência.

A investigação interna realizada pelo Escritório de Serviços de Supervisão Interna (IOS, na sigla em inglês), da Organização Mundial de Saúde (OMS), concluiu que não havia provas suficientes para confirmar as acusações.

Ativistas e especialistas legais questionaram, porém, a credibilidade da investigação, insistindo que não foram consideradas evidências circunstanciais importantes. "A ONU é completamente mal equipada para investigar esse tipo de coisa. Eles não deveriam estar apurando abusos sexuais", disse na semana passada Ed Flaherty, advogado que representou funcionários públicos internacionais por mais de duas décadas.

"A ONU não é uma autoridade soberana dotada de Direito para investigar ações criminosas", acrescentou, insistindo em que, "quando há uma queixa de uma ação criminosa, a ONU deveria envolver autoridades domésticas".

Comentários sobre a aparência

Em novembro de 2016, a funcionária fez uma queixa ao diretor-executivo da Unaids, Michel Sidibe, afirmando que o assédio incluiria comentários sobre sua aparência e toques não-autorizados, segundo contou aos investigadores.

Loures disse ao IOS que usava muito contato físico no cumprimento aos colegas, homens e mulheres, e admitiu ter beijado e segurado a mão da acusadora ocasionalmente. O IOS decidiu que o comportamento de Loures "pode ser visto como inapropriado, especialmente dada sua posição sênior", mas determinou ter provas insuficientes para sustentar as acusações de abuso sexual.

A funcionária relatou ainda que as conversas começaram com assuntos ligados ao trabalho, mas depois se tornou mais pessoal, embora nada de excepcional tenha sido discutido. Ela afirma que, no elevador, depois disso, Loures se projetou sobre ela, beijando-a e apalpando seus seios.

Quando o elevador parou em seu andar, ele tentou puxá-la, em uma aparente tentativa de levá-la para seu quarto, segundo ela. Loures negou o abuso e disse que, enquanto bebiam, a acusadora expôs detalhes sobre suas preferências sexuais.

O diretor da Unaids, Michel Sidibé, foi acusado pelo IOS de tentar abafar o caso, mesmo em se tratando de uma investigação oficial.

A decisão de Loures de pedir para sair acontece um dia depois de o subdiretor do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Justin Forsyth, ter renunciado ao cargo, após ser acusado de ter conduta inadequada com mulheres, quando trabalhava na organização britânica Save The Children.

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