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Mundo

Massacre de Ghuta chega ao quinto dia sem trégua

media Gouta: ONU classifica bombardeios sírios de "monstruosa campanha de aniquilação". REUTERS

O regime sírio voltou a atacar intensamente nesta quinta-feira (22) a região de Ghuta Oriental, em prosseguimento aos bombardeios que desde domingo já mataram 335 civis, incluindo dezenas de crianças.

Nesta quinta-feira, ataques com foguetes mataram pelo menos 13 civis, incluindo três crianças, em Duma, principal cidade de Guta Oriental, afirmou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

"Os disparos não pararam durante a manhã. Quase 200 bombas caíram apenas em Duma", indicou o OSDH.

Reação da comunidade internacional

Apesar dos múltiplos apelos por um cessar-fogo, o governo prosseguiu com os bombardeios preparatórios para uma ofensiva terrestre contra a área rebelde, próxima de Damasco, na qual vivem 400 mil pessoas.

A chanceler alemã Angela Merkel pediu nesta quinta-feira o fim do que chamou de massacre na Síria. Na quarta-feira, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu uma trégua imediata no território que virou um "inferno".

Já a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Catar pediram nesta quinta-feira a suspensão da ofensiva do regime sírio contra o Ghuta Oriental para permitir a entrada de ajuda humanitária.

O Conselho de Segurança da ONU deve se pronunciar sobre um projeto de resolução para estabelecer uma trégua de 30 dias que permita o acesso a Ghuta. A aprovação do texto depende em grande parte da Rússia, grande aliada do governo sírio.

A posição dos russos

A Rússia garante que seus militares na Síria já propuseram há alguns dias aos combatentes que se retirassem pacificamente de Ghuta Oriental, como aconteceu no leste de Aleppo.

"A Frente Al Nosra e seus aliados rejeitaram categoricamente nossa proposta e continuam bombardeando Damasco e mantendo refém a população de Ghuta ", afirmou chanceler rusos Serguei Lavrov.

“Aniquilação”

O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, pediu à comunidade internacional o "fim desta monstruosa campanha de aniquilação".

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) exigiu acesso a Ghuta Oriental para socorrer os feridos, que morrem pela falta de assistência imediata e de medicamentos.

Vários hospitais foram atingidos pelos ataques do governo, que incluem o lançamento de barris de explosivos, uma arma denunciada pela ONU.

"O regime pretende atacar grupos armados, mas na realidade aponta apenas contra os civis", declarou Ahmed Abdelghani, médico que trabalha nos hospitais de Hamuriyeh e Arbin, ambos bombardeados.

"Isto é um hospital civil. Por que o regime nos ataca?", questionou Abdelghani.

O governo deseja retomar o controle de Ghuta Oriental para, afirma, terminar com os disparos de foguetes contra Damasco.

De acordo com o jornal sírio Al-Watam, ligado ao governo, uma ofensiva terrestre "de envergadura pode começar a qualquer momento".

Com agência AFP

  

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