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Mundo

Bombardeio sírio massacra população civil de Ghuta

media Ghouta: mais de 70 crianças mortas nos bombardeios da aviação síria. REUTERS/ Bassam Khabieh

Pelo quarto dia consecutivo, o regime sírio bombardeava nesta quarta-feira (21) o reduto rebelde de Ghuta Oriental, perto de Damasco, matando ao menos 24 civis, incluindo três crianças.

Os ataques se concentram na localidade de Kfar Batna, onde 22 civis morreram hoje atingidos por barris de explosivos lançados pelos aviões do regime, segundo indicou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Segundo informações do OSDH, quase 300 civis, incluindo 71 crianças, já morreram nos bombardeios que começaram no domingo, nesta região onde moram 400 mil pessoas.

Vários hospitais estão fechados na região, cercada desde 2013 pelas forças fiéis ao regime de Bashar Al-Assad, provocando uma grave crise humanitária, com casos de desnutrição e fome.

As localidades de Arbin e Ain Turma também foram atingidas pela aviação do regime, que lançou barris explosivos, um tipo de armamento condenado pela ONU e pelas ONGs internacionais.

Hospitais à beira do colapso

Nos hospitais que ainda estão em funcionamento, não há mais leitos e os feridos são tratados no chão, enquanto as salas de cirurgia funcionam vinte e quatro horas por dia.

Em um hospital da cidade de Duma, uma enfermeira relatou a admissão na terça-feira de uma mulher grávida de seis meses, que havia sido retirada dos escombros.

"Ela ficou gravemente ferida, iniciamos uma cesariana, mas nem a criança nem a mãe puderam ser salvas", disse Maram à AFP.

A poucos metros de distância, Mohammed, de 25 anos, carregava em seus braços a filha de seus vizinhos, mortos sob os escombros de um edifício que desabou em Duma.

"Que crime essa menina cometeu?", repetia em voz alta, enquanto o destino de sua própria família permanece desconhecido.

Responsabilidade de quem?

Na terça-feira, a força aérea da Rússia, aliada do regime de Bashar al-Assad, bombardeou Ghuta Oriental pela primeira vez em três meses.

O Kremlin, porém, negou nesta quarta-feira qualquer envolvimento nos bombardeios.

"São acusações sem fundamento", declarou o porta-voz Dmitri Peskov, enquanto a diplomacia americana acusou a Rússia na terça-feira de ser responsável pelos ataques, "pela situação humanitária aterradora em Ghuta Oriental e pelo terrível balanço de mortos entre civis".

A nova ofensiva aérea começou no dia em que o regime reforçou suas posições em torno da região em antecipação a um planejado ataque terrestre.

O presidente Bashar al-Assad procura conquistar este enclave, de onde os rebeldes disparam morteiros contra a capital. Ghuta Oriental é a última fortaleza controlada pelos rebeldes perto de Damasco.

Antes de Ghuta Oriental, várias áreas rebeldes, como a Cidade Velha de Homs em 2012 ou Aleppo em 2016, foram sufocadas por bombardeios e pelo cerco do regime para forçar os insurgentes a depor as armas e os civis a fugir.

Impotência

O conflito na Síria, desencadeado em 15 de março de 2011, já matou mais de 340 mil pessoas.

Inicialmente opondo os rebeldes ao regime, tornou-se mais complexo com o envolvimento de grupos jihadistas e potências estrangeiras.

Graças à intervenção militar da Rússia em 2015, o regime de Assad, que estava em uma situação muito complicada no terreno, conseguiu recuperar o controle de mais da metade do país, multiplicando vitórias sobre rebeldes e jihadistas.

Os ataques aéreos do regime foram retomados, apesar dos protestos da comunidade internacional, que novamente provou sua impotência sobre o conflito sírio.

Os bombardeios contra civis "devem parar agora", declarou o coordenador da ONU para a ajuda humanitária na Síria, Panos Moumtzis, na terça-feira.

Washington denunciou as "táticas" do regime de "assediar e fazer a população morrer de fome", enquanto o ministro francês das Relações Negócios, Jean-Yves Le Drian, anunciou visitas a Moscou e a Teerã, os dois principais aliados de Assad.

Mas para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), "nenhuma palavra fará justiça às crianças mortas, suas mães, seus pais e aqueles que são queridos por eles".

Com agência AFP

 

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