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Mundo

Muçulmanas denunciam assédio sexual em peregrinação à Meca

media Peregrinação anual à Meca reúne 2 milhões de muçulmanos. REUTERS/Muhammad Hamed

Depois de rodar o mundo, a onda de denúncias de assédio e agressões sexuais iniciada no cinema atinge um símbolo da fé: a Meca. Muçulmanas que realizaram a peregrinação ao local usam as redes sociais para denunciar abusos ocorridos durante o ritual de orações, que reúne 2 milhões de fiéis a cada ano.

Quem lançou o alerta foi uma jovem de origem paquistanesa, Sabeeca Khan, em um post no Facebook. Em uma longa mensagem, ela conta ter sido tocada diversas vezes em meio ao tawaf, que consiste em fazer sete vezes o contorno da Kaaba, na Meca. Tudo começou com uma mão na cintura.

“Eu pensei que fosse um engano inocente e ignorei. Mas senti de novo e fiquei muito desconfortável”, relatou. “No sexto tawaf, eu subitamente senti algo mais agressivo nas nádegas. Eu gelei. (...) Continuei a avançar lentamente, porque era uma multidão gigantesca. Tentei voltar, mas não consegui. (…) Fiquei literalmente petrificada. Me senti tão violentada. Me senti incapaz de falar”, afirmou a jovem.

O post foi compartilhado mais de 5 mil vezes e levou a egípcio-americana Mona Eltahawy a criar a hashtag #MosqueMeToo (“MesquitaEuTambém”) para encorajar outras mulheres a relatar assédios sofridos durante as preces. Ela se inspirou no trending #MeToo (“eu também”), lançado em meio ao escândalo de Hollywood.

Eltahawy contou ter ido à Meca há mais de 35 anos, quando ela tinha 15 anos. “Levei anos para conseguir falar das apalpadas que recebi durante a peregrinação. Mantive o silêncio não apenas por causa da vergonha, mas para que os muçulmanos não tivessem uma imagem ruim”, descreveu a jornalista, autora do livro «Headscarves and Hymens: Why The Middle East Needs a Sexual Revolution» (“Véus e himens: por que o Oriente Médio precisa de uma revolução sexual”), de 2015, no qual contou as duas agressões das quais foi vítima.

“Até hoje, quando conto o que aconteceu, sou acusada de inventar ou de estar caluniando o islã”, afirmou, no Twitter. Em poucas horas, o hashtag foi adotado por centenas de outras mulheres.

“Lembro desse momento em detalhes, com o mesmo sentimento de nojo. Eu tinha 20 anos quando fui à Meca e, no terceiro dia, eu esperava o meu pai comprar jantar e um homem passou ao meu lado, tocou no meu peito e desapareceu na multidão”, contou uma.

“Fui assediada aos 21 anos, quando eu fazia o tawaf. Até neste lugar sagrado! O fato que tenha acontecido lá, neste lugar que deveria ser o santuário mais santo e mais seguro, me fez tanto mal que eu não me recuperei disso”, relatou outra jovem.

Na França, o hashtag #MosqueMeToo estava nos trendings neste sábado (10). Muitos internautas usaram a referência para criticar o movimento e dizer que faz parte de uma campanha para “sujar o islã”.

“Uma mulher de menos de 50 anos não pode ir à Meca sem estar acompanhada por um homem (da sua família um guia, etc). Somente as com mais de 50 podem e, ao vermos as supostas assediadas, elas têm menos idade”, reclamou um jovem, com as hashtags #StopCalomnies e #Islamophobie (PararMentiras e Islamofobia).

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