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Mundo

Em plena ofensiva turca na Síria, papa oferece medalha da paz a Erdogan

media Papa Francisco durante encontro com o presidente turco Tayyip Erdogan no Vaticano. REUTERS/Alessandro Di Meo/Pool

O papa recebeu nesta segunda-feira (5) no Vaticano o presidente turco Recep Tayyip Erdogan e lhe ofereceu um medalhão que simboliza o fim da guerra. A visita acontece no mesmo momento em que o regime de Ancara bombardeia os curdos na Síria.

O chefe do Estado turco, muito sorridente e atrasado, foi recebido no palácio do Vaticano pelo sumo pontífice, que parecia mais tenso. Mas a atmosfera melhorou no momento da troca de presentes e da despedida, segundo dois jornalistas presentes.

"Este é um anjo da paz, que estrangula o demônio da guerra", comentou Francisco, oferecendo um medalhão de bronze de cerca de vinte centímetros de diâmetro ao líder turco. "É o símbolo de um mundo baseado na paz e na justiça", acrescentou ao entregar a peça, que representa um anjo místico aproximando os hemisférios norte e sul, enquanto luta contra um dragão.

Erdogan trouxe para o pontífice um grande retrato panorâmico em cerâmica de Istambul, onde é possível distinguir a cúpula da basílica de Santa Sofia convertida pelos otomanos em uma mesquita no século XV, bem como a famosa mesquita azul.

O Vaticano informou que o papa e o presidente turco mantiveram discussões "cordiais" e trataram a situação no Oriente Médio, em particular o status de Jerusalém, de acordo com um comunicado. Os dois líderes destacaram a "necessidade de promover a paz e a estabilidade na região por meio do diálogo e da negociação, respeitando os direitos humanos e a lei internacional", acrescentou a Santa Sé.

Contudo, não houve menção direta aos bombardeios turcos contra os curdos na Síria. Os ataques visam oficialmente afastar a milícia das Unidades de Proteção do Povo (YPG), uma organização curda classificada como "terrorista" por Ancara, mas aliada de Washington na luta contra o Estado Islâmico (EI) na região. 

Manifestações contra Erdogan

O presidente turco foi acompanhado por uma delegação de 16 pessoas, incluindo sua esposa e uma de suas filhas, mas também quatro ministros, incluindo o responsável pelas relações com a Europa. Um grande perímetro de segurança no centro de Roma foi fechado a manifestantes por 24 horas e 3.500 policiais foram mobilizados.

Mesmo assim, cerca de 30 pessoas se reuniram perto do Vaticano, por iniciativa de uma associação italiana curda. "Em Afrin, um novo crime contra a humanidade está em andamento", denunciou a associação.

Nenhum encontro com a imprensa está previsto em Roma. Erdogan foi fortemente criticado no início de janeiro em Paris por atacar um jornalista francês que o questionou sobre a suposta entrega de armas por Ancara ao EI em 2014.

(Com informações da AFP)

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