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Aiatolá acusa “inimigos externos” de fomentarem violência no Irã

media Oo aiatolá Khamenei assegurou, em uma declaração transmitida nesta terça (2) pela emissora de televisão oficial que, "os inimigos se uniram e estão usando de todos seus meios para desestabilizar o Irã". AFP

O guia supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, rompeu nesta terça-feira (2) seu silêncio sobre a onda de protestos que já dura seis dias e afirmou que os distúrbios são orquestrados pelos inimigos do país. O presidente francês Emmanuel Macron conclamou nesta terça-feira (2) seu homólogo iraniano, Hassan Rohani, à “contenção” e à “paz”. Visita do chanceler francês ao Irã foi “adiada”.

Nove pessoas morreram durante a noite de segunda (1°) no centro do país, onde os manifestantes tentaram invadir um posto policial. Desde o início das manifestações, na quinta-feira passada, 21 pessoas morreram, incluindo 16 manifestantes, em todo país por eventos relacionados a esses protestos, que começaram em Machhad (nordeste), espalhando-se rapidamente.

A capital Teerã tem sido menos afetada que as pequenas e médias cidades, mas 450 pessoas foram detidas desde sábado (30), segundo as autoridades locais. As autoridades mobilizaram agentes adicionais para fazer frente aos protestos.

Em sua primeira declaração desde o início da crise, o aiatolá Khamenei assegurou, em uma declaração transmitida pela emissora de televisão oficial que, "nos acontecimentos dos últimos dias, os inimigos se uniram e estão usando de todos seus meios, seu dinheiro, suas armas, suas políticas e seus serviços de segurança para criar problemas para o regime islâmico". "Esperam apenas uma chance para se infiltrar e atacar o povo iraniano", declarou, sem especificar os "inimigos".

"O que pode impedir o inimigo de agir é o espírito de coragem, de sacrifício e a fé do povo, dos quais vocês são testemunha", acrescentou o aiatolá, dirigindo-se às famílias dos soldados mortos em guerra. As autoridades acusam os grupos de oposição "contrarrevolucionários" baseados no exterior - nos Estados Unidos e na Arábia Saudita, por exemplo - de tentarem se aproveitar da insatisfação da população para criar problemas no país.

O inimigo norte-americano

O presidente americano Donald Trump, que fez do Irã um dos seus principais alvos, reagiu várias vezes às manifestações, considerando que mostravam que o "tempo da mudança" chegou no país.

Nesta terça-feira (2), Trump elogiou os manifestantes iranianos por denunciar o regime brutal e corrupto de Teerã. "O povo do Irã está finalmente agindo contra o brutal e corrupto regime iraniano", tuitou.

Em resposta, um porta-voz do ministério iraniano das Relações Exteriores, Bahram Ghassemi, afirmou que "ao invés de perder seu tempo enviando tuítes inúteis e insultantes contra outros povos, (Trump) deveria se ocupar dos problemas internos de seu país, principalmente o assassinato diário de dezenas de pessoas e milhões de desabrigados e famintos".

“Contenção”, pede Macron

O presidente francês, Emmanuel Macron, conclamou nesta terça-feira, seu homólogo iraniano Hassan Rohani à "contenção" e ao "apaziguamento" no Irã, sacudido desde a semana passada por conflitos inéditos desde 2009, anunciou o Elysee em comunicado.

Durante uma conversa telefônica planejada antes dos protestos dos últimos dias, o presidente francês expressou "sua preocupação com o número de vítimas", segundo comunicado do Palácio do Eliseu, segundo o qual, "No contexto atual," os presidentes franceses e iranianos "decidiram, de comum acordo, que a visita chanceler francês da (Jean-Yves Le Drian), prevista para o final desta semana ao Irã, deveria ser adiada", afirmou a Presidência francesa.

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