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Mundo

Putin se coloca como única opção para a estabilidade política da Rússia

media Putin: "o poder não tem medo de ninguém". REUTERS/Sergei Karpukhin

Na sua entrevista coletiva anual, o presidente russo Vladimir Putin se declarou, nesta quinta-feira (14), a única garantia para a estabilidade política da Rússia na eleição presidencial de 2018.

Uma semana depois de ter oficializado a sua candidatura à eleição presidencial de março, por um mandato que pode mantê-lo no poder até 2024, o todo-poderoso chefe do Kremlin participou da entrevista coletiva anual, em que faz um balanço do seu governo: perante 1.600 jornalistas, Putin respondeu às questões perante 3 horas e 40 minutos, abordando temas tão variados como economia, política internacional e sua vida cotidiana.

Mais do que as suas intenções para os próximos seis anos, o presidente foi forçado a responder sobre a ausência real de candidatos da oposição para as eleições de 18 de março, para a qual Putin é dado como favorito, com 75% das intenções de votos, segundo o instituto independente Levada.

Depois de explicar que gostaria de ter um sistema político “concorrencial” e ter se defendido das acusações de bloquear a oposição, Putin foi interpelado pela candidata liberal à presidência Ksenia Sobtchak, credenciada como jornalista pela rede de TV independente Dojd.

Perguntas plantadas?

Sobtchak questionou Putin sobre os entraves encontrados pelo principal candidato da oposição Alexei Navalny, impedido de se apresentar por condenações na Justiça, e os assassinatos de personalidades que criticaram o governo.

“O poder não tem medo de ninguém”, retrucou Putin, lembrando os problemas políticos da Ucrânia, onde Mikheil Saakachvili lidera a oposição. “Você quer que nós tenhamos dezenas de Saakachvili na Rússia? Você quer que esses Saakachvili desestabilizem a situação no nosso país? Você quer que nós soframos tentativas de golpe de Estado? Eu tenho certeza que a maioria dos cidadãos russos não quer e não permitirá que isso aconteça”, insistiu o presidente.

Muitos supeitam que Ksenia Sobchak, cujo pai foi o mentor político de Putin e que, segundo rumores, seria afilhada do presidente, foi “plantada” como candidata pelo próprio Kremlin para aumentar o interesse pelo pleito e dividir os votos da oposição.

Candidato sem adversários

Eleito presidente em 2000, quando a Rússia passava por um período de instabilidade política e econômica, Putin é louvado por muitos russos por ter sido o homem da recuperação econômica, alavancada pela produção de petróleo, e do retorno da Rússia à cena internacional.

Estando o seu principal adversário político, Alexei Navalny, impedido de se apresentar nas eleições por condenações jurídicas que, segundo ele, foram fabricadas, Vladimir Putin chegará às eleições sem nenhum concorrente de fato.

O único desafio de Putin será, de fato, convencer os russos a votarem nessa eleição que parece um jogo de cartas marcadas. Segundo o Instituto Levada, apenas 28% dos eleitores pretendem votar nas eleições de março.

(Com agência AFP)

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