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Arábia Saudita reabre salas de cinema, após 35 anos de proibição

media Mulheres sauditas participam do festival "Short Film Competition 2" em 20 de outubro de 2017, no King Fahad Culture Center em Riyadh. FAYEZ NURELDINE / AFP

A Arábia Saudita decidiu autorizar a abertura de salas de cinema a partir do início de 2018, após mais de 35 anos de proibição. A notícia foi dada nesta segunda-feira (11) pelo ministério saudita da Cultura e Informação, que começará a conceder licenças imediatamente.

A medida é parte de um ambicioso plano de reformas do príncipe herdeiro Mohamed bin Salman, que busca promover espetáculos e eventos de entretenimento, apesar da oposição dos círculos conservadores.

Os cinemas foram banidos na década de 1980 sob pressão religiosa enquanto a sociedade saudita estava se movendo para uma aplicação restritiva do Islã recusando o entretenimento e o encontro de homens e mulheres em um mesmo local público. "A abertura dos cinemas servirá de catalisador no crescimento econômico e diversificação", disse o ministro saudita da Cultura e da Informação, Awwad bin Saleh Alawwad. "Ao desenvolver um setor cultural mais amplo, criar novos empregos e criar oportunidades, enquanto melhorando as opções de entretenimento no reino ", ele acrescentou.

Em janeiro, o xeque Abdulaziz al-Sheikh, o grande líder religioso da Arábia Saudita, expressou indignação contra a possível abertura de cinemas, que chamou de fonte de "depravação".

Reconhecimento internacional

Apesar da proibição das salas de exibição, o cinema saudita começa a receber reconhecimento internacional. A comédia romântica "Barakah Meets Barakah", de Mahmoud Sabbagh, foi exibida no Festival de Berlim e "O sonho de Wadjda", da diretora Haifaa Al Mansour, foi selecionado para representar o país em 2013 na tentativa de uma indicação ao Oscar em filme de língua estrangeira.

As primeiras salas devem abrir as portas em março do ano que vem. A estimativa do governo é que, até 2030, a Arábia Saudita tenha mais de 300 cinemas com cerca de 2 mil telas. De acordo com números oficiais, a indústria cinematográfica deve trazer cerca de 90 bilhões de rials (US$ 24 bilhões) para a economia saudita e criar 30 mil postos de trabalho até 2030.

Entre outras reformas, Riad anunciou em setembro a autorização para que as mulheres possam dirigir a partir de junho de 2018. Mas o governo saudita ainda impõem, por exemplo, que as mulheres tenham a permissão de seu "guardião homem" ou tutor (em geral, algum homem da família, como seu pai ou marido) para solicitar um passaporte, abrir conta bancária ou começar algum tipo de negócio.

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