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"Revolução dos banheiros" conquista turistas e avança na China

 
De 2018 a 2020, 64 mil banheiros públicos serão construídos ou reformados na China. Flickr/ Creative Commons

Enquanto se prepara para entrar na "nova era" anunciada pelo presidente Xi Jinping durante o 19° Congresso do Partido Comunista em outubro passado, a China promove uma nova revolução: a dos banheiros.

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Pequim

Trata-se de um assunto sério, que começou como uma campanha para melhorar a rede de banheiros públicos para os turistas e hoje está no topo da lista de prioridades do país. Construir e modernizar banheiros virou uma ordem, depois que o presidente chinês veio a público falar da sua importância.

A "revolução dos banheiros", como está sendo chamada, ganhou a primeira página dos jornais e tem rendido reportagens nos canais da televisão estatal. Lançada em 2015 como uma campanha do Escritório de Turismo para melhorar as condições dos banheiros para turistas chineses e estrangeiros, a proposta tenta envolver toda a sociedade.

Xi diz que a China precisa de melhoras nos seus banheiros para construir uma "sociedade civilizada" e incrementar os padrões de higiene do povo. Ele pediu aos membros do partido que continuem a modernizar os banheiros turísticos enquanto expandem o projeto para o resto do país, sobretudo para áreas rurais e regiões remotas.

Xi defende reforma civilizatória

Em um artigo publicado pelo jornal estatal Diário do Povo, Xi disse que não se trata de um assunto menor, mas de um aspecto importante para a construção de cidades civilizadas e para o campo. Segundo ele, este trabalho deve ser um passo concreto para acelerar a estratégia de revitalização do país e, por isso, são necessários grandes esforços para consertar estas falhas que afetam a qualidade de vida das massas.

Em suas visitas às áreas rurais, o presidente sempre verifica se a população usa banheiros que são um buraco no chão. Mesmo em Pequim, as condições de muitos banheiros públicos chocam os estrangeiros. O padrão é globalmente ruim.

Nos hutongs, os bairros das casas tradicionais chinesas, os banheiros públicos são as únicas opções para os moradores, que, em geral, não têm uma dependência exclusiva para a família. É comum encontrar chineses de pijama à noite ou cedo pela manhã nas ruelas a caminho dos sanitários coletivos.

Se depender de Xi, nas grandes chinesas os banheiros terão equipamentos de luxo: tomada para carregar celular, wifi, ar-condicionado, aquecimento, máquina de água e sucos. Mas isso é só exibicionismo para turista ver. Chinês inclusive. O turismo interno é gigantesco neste país de quase um 1,4 bilhão de habitantes.

O cerne da questão é a reforma civilizatória. Fazer a população rural, que abandonou o campo para viver nas grandes cidades, se adaptar aos equipamentos "modernos". O governo também está empenhado em melhorar as condições de higiene no campo, onde a falta de vasos sanitários causa doenças e atrai bichos.

Meta inicial foi ampliada

Em janeiro de 2015, a China anunciou a meta de construir e renovar 57 mil banheiros públicos em áreas turísticas. Como tudo no país, a meta foi ultrapassada, em 19,3%. Foram construídos e renovados 68 mil banheiros, segundo dados atualizados no mês passado. Por isso, as autoridades acabam de anunciar uma nova meta para os próximos três anos.

De 2018 a 2020, serão construídos ou reformados pelo menos 64 mil banheiros de turismo. O foco também se desloca para o interior da China, sobretudo nas partes central e ocidental, com destaque para as zonas rurais. O Escritório de Turismo vai criar um regime de avaliação e fiscalização da sociedade. Segundo uma pesquisa, 80% dos turistas chineses estão mais satisfeitos com as melhorias dos banheiros.

Uma das regiões mais implicadas na "revolução" é a província de Ningxia, que recebeu um projeto experimental de construção de banheiros na zona rural. A província estabeleceu pontos em 22 cidades. Em Qingtongxia, foram renovados 1.300 banheiros nos últimos três anos. Diante dos bons resultados, a província acaba de anunciar uma meta de renovar os banheiros usados por 300 mil famílias até 2020.

Empresário explora nicho e registra patentes de banheiro

O empresário chinês Qian Jun, nascido em Kunshan, na província de Jiangsu, a mais densamente povoada da China, decidiu largar o império que construiu entre os setores de logística, finanças e alimentação para dedicar-se à filantropia e à construção de sanitários para pessoas carentes.

A reviravolta na vida dele aconteceu depois que descobriu um câncer em 2011, aos 34 anos. Ele já gastou cerca de US$ 3 milhões com banheiros e, por isso, passou a ser conhecido como “Zé do Banheiro”. A fundação do empresário, que recebeu o nome dos filhos, estima que cerca de 80% das áreas rurais de Xinjiang e do Tibete enfrentem uma situação grave de falta de sanitários.

A ideia da fundação não é apenas reformar banheiros, mas mudar a cultura das pessoas. Esta é a primeira organização não governamental a se dedicar exclusivamente a esta questão. Neste momento, Qian está tocando três projetos diferentes.

O primeiro é dedicado à construção de banheiros sustentáveis em universidades. O segundo para a construção de banheiros em regiões pobres da China. O último , que é o seu preferido, é o da reciclagem de papel higiênico. O resultado da reciclagem é usado para financiar os rolos consumidos nas escolas.

Representantes de turma são escolhidos entre os alunos para controlar a distribuição do papel pelos banheiros e a sua limpeza. Muitos pais resistem à iniciativa por achar que os filhos estão sendo convocados para limpar os banheiros.

Para Qian, o design dos banheiros é uma consideração que tem de estar presente nas suas equipes. Parece uma bobagem. Mas, por exemplo: os banheiros para as áreas remotas do Tibete levam em conta as caraterísticas das vestes usadas pela população. Uma das mangas costuma ser muito mais longa do que a outra, exigindo adaptação nos banheiros.

A faculdade do banheiro

Novos materiais têm sido usados para garantir a limpeza dos sanitários por mais tempo, como portas de alumínio, azulejos especiais e desodorizantes. Os banheiros também precisam se adequar às condições regionais, como a altitude ou as temperaturas dos locais onde são construídos.

Outro aspecto interessante do projeto de Qian é que 30 novas patentes de modelos de banheiros devem ser registradas pela fundação dele e comercializadas para serem usadas no oeste do país. Ele quer que a universidade Tsinghua, uma das mais prestigiosas de Pequim, inclua uma nova especialização, uma espécie de "faculdade de banheiros", que poderia estar da escola de meio ambiente ou direito. Ainda não se sabe ao certo como se encaixaria no currículo dos alunos.


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