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Mundo

Honduras: população vai às urnas eleger presidente sob suspeita de fraude

media Des soldats préparent le matériel électoral à Tegucigalpa au Honduras, le 25 novembre 2017. REUTERS/Edgard Garrido

Mais de seis milhões de hondurenhos vão às urnas neste domingo (26) escolher o novo presidente do país. Nove candidatos participam do pleito, mas apenas três têm chances de vencer as eleições.

Apesar da sua candidatura ser considerada como inconstitucional, o presidente Juan Orlando Hernandez, do Partido Nacional de Direita, é tido como favorito. Segundo as pesquisas, ele tem 37% das intenções de voto e deve ser reeleito.O chefe de Estado hondurenho tem 15 pontos de vantagem em relação a seu principal adversário, o jornalista televisivo Salvador Nasralla, que teria 22% da preferência do eleitorado.

Os opositores de Hernandez contestam a legalidade das eleições. Normalmente, a Constituição do país impede um presidente de se reeleger, mas uma decisão da Corte Suprema de 2015 cancelou essa proibição abrindo a possibilidade para a candidatura do chefe de Estado hondurenho.

Risco de fraude

"Trata-se de uma manobra de Juan Orlando Hernandez, com o apoio da Corte Suprema de Justiça, para poder se candidatar à reeeleição, o que é contrário à Constituição", analisa Javier Calderon, cientista político do Centro Estratégico Latino Americano de Geopolítica, em entrevista à RFI. "Outra questão, que é recente e importante, é a aliança da oposição, liderada por Nasralla, que conseguiu reunir os partidos de esquerda em uma aliança contra a corrupção", declara.

O risco de fraude gera instabilidade política, relata o correspondente da RFI Patrick John Buffe. "Os dois principais adversários acusam o Tribunal Eleitoral, controlado pelo Partido Nacional, de preparar uma fraude. Salvador Nasralla, da coalizão de esquerda contra a ditadura, e Luis Zelaya, do Partido Liberal, denunciam a instauração de mecanismos fraudulentos para ajudar Hernandez a vencer as eleições", explica.

Aliado dos Estados Unidos, o presidente hondurenho reivindica melhorias econômicas e em termos de segurança desde que chegou ao poder, em 2014. Em seu mandato, a taxa de homicídios diminuiu, a economia do país cresceu e o déficit público sofreu uma queda. Entre suas promessas, estão a luta contra o crime organizado no país e a construção de pontes e estradas para atrair investimentos estrangeiros, além da criação de 600 mil empregos.

Oposição fragmentada

Hernandez também beneficia de uma oposição fragmentada, representada por Nasralla. Sua coalizão, a chamada Aliança de oposição contra a ditadura, reúne partidos de esquerda e direita, incluindo o partido da liberdade e da refundação, controlado pelo ex-presidente Manuel Zelaya, destituído pelas forças armadas em 2009 com o apoio do atual chefe de Estado. Nas eleições deste domingo, os hondurenhos também vão escolher 128 deputados

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