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Mundo

Rohingyas: detalhes do acordo de repatriação não estão claros

media Refugiados rohingyas caminham até o campo de Cox's Bazar, em 19 de novembro de 2017. REUTERS/Cathal McNaughton

Dentro de dois meses, os primeiros refugiados Rohingya poderão começar a retornar a Mianmar, como anunciado por Bangladesh após conversas com a líder birmanesa Aung San Suu Kyi. Os dois países chegaram a um acordo na quinta-feira (23) para lidar com a fuga de mais de 620 mil muçulmanos, desde agosto passado.

Sarah Bakaloglou, correspondente da RFI em Rangoun

Por enquanto, ainda há poucos elementos revelados sobre o acordo, mas o retorno dos refugiados será baseado em um antigo contrato de repatriamento entre Mianmar e Bangladesh.

Datado de 1992, o antigo acordo também foi consequência de um êxodo da minoria muçulmana. Para retornar, os Rohingyas tiveram que apresentar documentos de residência em Mianmar, que poucos deles possuíam na época. Hoje, o problema continua a ser o mesmo, uma vez que a grande maioria dos refugiados não tem documentos ou os deixou em aldeias destruídas pelo fogo.

Além disso, há alguns dias o chefe do exército birmanês não disse o mesmo que o governo sobre os critérios de retorno. Na verdade, o general disse que o repatriamento aconteceria com base na lei de cidadania, mas este texto eliminou a nacionalidade birmanesa dos Rohingyas há mais de 30 anos.

Preocupação da comunidade internacional

A comunidade internacional se mostra preocupada com a situação dos Rohingyas que voltarem para Mianmar. Na quinta-feira, os dois países ainda não tinham especificado como organizar esse retorno. Resta saber quantos Rohingyas, que estão atualmente em campos em Bangladesh, desejam retornar a Mianmar depois de terem sofrido extrema violência pelo exército, além de muita discriminação.

Em todo caso, o anúncio do acordo ocorre no momento em que Mianmar se encontra sob forte pressão da comunidade internacional. As autoridades de Bangladesh, por sua vez, estão mobilizadas para encontrar rapidamente uma solução para que os refugiados não permaneçam na sua fronteira, a longo prazo. Tudo isso, apenas a alguns dias antes da visita que o Papa Francisco fará aos dois países.

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