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Rússia teria agido para influenciar resultado do Brexit, revela Le Monde

media Secretário de Estado para o Brexit, David Davis. Reino Unido não previu os ataques cibernéticos para influenciar o referendo. REUTERS/Eric Vidal

O jornal Le Monde desta sexta-feira (17) dá destaque à suposta ingerência da Rússia no Brexit, o referendo de saída do Reino Unido da União Europeia.  

Em matéria de primeira página, o Le Monde revela que 45 mil mensagens foram postadas em contas do Twitter registradas na Rússia, num período de 48 horas pouco antes do referendo. No total, mais de 150 mil contas do Twitter, todas baseadas na Rússia, postaram mensagens freneticamente durante a campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia, antes de se calarem de repente.

Segundo universitários de Swansea, no País de Gales, e de Berkeley, na Califórnia, essas mensagens do Twitter, geradas automaticamente ou com auxílio humano, foram vistas centenas de milhões de vezes.

Dividindo para dominar

Se a maioria das mensagens pedia o Brexit, outras apoiavam a União Europeia, com a clara intenção de semear a discórdia entre os eleitores britânicos.

Segundo Damian Collins, presidente da Comissão parlamentar britânica sobre a informação digital, não se trata de “hackers amadores brincando de enviar mensagens dos seus quartos”. Trata-se de investigar se os russos não montaram todo um sistema de computadores para postar notícias falsas e mensagens de radicalização política em outros países.

Agência Russa de Pesquisa na Internet

Trabalhando sobre 2.750 contas do Twitter suspensas nos Estados Unidos por ingerência russa na campanha presidencial norte-americana, pesquisadores da universidade de Edimburgo na Escócia, identificaram pelo menos 419 contas que também postaram mensagens sobre o Brexit. Segundo o jornal inglês The Guardian, citado pelo Le Monde, essas contas russas foram registradas pela Agência Russa de Pesquisa da Internet, ligada diretamente ao Kremlin.

O partido Trabalhista do Reino Unido, em oposição à primeira-ministra Theresa May, exige do governo que faça pressão junto aos gigantes da internet, como Facebook e Twitter, para que se revele até que ponto os seus sistemas foram pirateados.

Os defensores de Putin

Enquanto a própria Theresa May sugere em seus discursos a ingerência externa no referendo do Brexit, Boris Johnson, seu rival dentro do partido Conservador, alinha-se a Donald Trump. Os dois defendem o governo de Vladimir Putin, que continua a negar toda e qualquer ingerência na política interna dos Estados Unidos ou do Reino Unido.

O referendo da Catalunha

Para completar, surge agora na Espanha a suspeita de que a inteligência russa, operando contas falsas do Facebook e do Twitter, também teria influenciado o movimento pela independência da Catalunha. Segundo o ministro espanhol das Relações Exteriores, Alfonso Dastis, 50% das contas falsas detectadas seriam registradas na Rússia, e 30% na Venezuela.

A embaixada da Rússia em Madri nega todas as acusações e denuncia “a histeria que toma conta dos Estados Unidos e da Europa”.

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