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Premiê libanês diz temer ameaças de xiitas e renuncia

media Primeiro-ministro Saad al-Hariri anuncia demissão em pronunciamento feito na Arábia Saudita. REUTERS/Mohamed Azakir

O primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, anunciou neste sábado (4) de maneira surpreendente sua renúncia ao cargo, e acusou o Hezbollah e seu aliado Irã de "controlar" o Líbano. Hariri disse que sua vida está ameaçada.

O anúncio foi feito na Arábia Saudita, em um discurso exibido pelo canal de notícias Al-Arabiya, da capital saudita. A renúncia, totalmente inesperada, acontece um ano depois de sua nomeação à frente do governo libanês, que conta com a participação do poderoso movimento armado xiita Hezbollah.

O gabinete do presidente da República, Michel Aun, anunciou que o chefe Estado vai aguardar o retorno de Hariri para que ele informe "as circunstâncias da renúncia e, assim, decidir os próximos passos".

"Senti o que se tramava nas sombras para atacar minha vida", declarou o agora ex-premiê, para quem o Líbano vive uma situação similar à registrada antes do assassinato de seu pai, o também ex-primeiro-ministro Rafic Hariri, em 2005. Cinco membros do Hezbollah são acusados pelo assassinato.

Influência do Irã

O Hezbollah é um aliado-chave do regime de Bashar al-Assad na guerra na vizinha Síria. Tem o apoio do xiita Teerã e é o único partido libanês que não entregou as armas ao fim da Guerra Civil no Líbano (1975-1990). O grupo, um pesadelo para Israel, se nega a abandonar seu arsenal, principal ponto de discórdia no país.

"O Irã exerce um controle no destino dos países da região [...]. O Hezbollah é o braço do Irã não apenas no Líbano, como também em outros países árabes", denunciou Hariri, de 47 anos. Ele acusou Teerã de "ter criado conflito entre os filhos de um mesmo país, de ter criado um Estado dentro do Estado [...] até ter a última palavra nas questões do Líbano".

"Nas últimas décadas o Hezbollah impôs uma situação de fatos consumados com a força das armas", completou Hariri, que já havia sido primeiro-ministro entre 2009 e 2011, antes do Executivo chegar ao fim com a demissão de ministros do Hezbollah.

A guerra na Síria provocou ainda mais divisões no Líbano, dividido entre detratores e partidários do regime de Damasco. Hariri se opõe fervorosamente ao governo sírio.

Irã nega e acusa ex-premiê de favorecer Israel

O governo iraniano rebateu as acusações, chamadas de “sem fundamento”, e disse que a demissão “faz parte de um novo cenário para criar tensões no Líbano e na região.

Um porta-voz de Teerã declarou que a renúncia “mostra que Hariri joga no campo daqueles que não querem o bem da região e o único vencedor desse jogo é o regime sionista”, em referência a Israel.

Com informações da AFP

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