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Congresso do Partido Comunista chinês vai consagrar Xi Jinping

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Congresso do Partido Comunista chinês vai consagrar Xi Jinping
 
O presidente chinês, Xi Jinping, abriu nesta quarta-feira (18), em Pequim, o 19° Congresso do Partido Comunista da China. REUTERS/Jason Lee

O 19° Congresso do Partido Comunista da China começou nesta quarta-feira (18), em Pequim. A importante reunião política deve dar ainda mais poderes ao presidente Xi Jinping. Ela também deve indicar as diretrizes para os rumos da segunda maior economia do mundo. O encontro foi aberto com um longo discurso do presidente chinês. Ele falou que a China está entrando em uma nova era e salientou a construção de um país socialista moderno.

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Pequim

O discurso de Xi Jinping, transmitido ao vivo para toda a nação, foi longo, quase três horas e meia, e grandioso, como se esperava. O presidente chinês falou no imponente Grande Salão do Povo, o coração político do país, para quase 2.300 delegados do partido. Até o ex-presidente Jiang Zemin, hoje com 91 anos, estava presente.

Com muitos desejos para o futuro e menos políticas, Xi Jinping falou que a China está entrando numa nova era. Ele salientou a construção de um país socialista moderno que nunca vai copiar outros sistemas políticos e que vai se manter aberto para o mundo. O presidente também falou em um partido forte para lidar com uma grande causa e desafios pela frente. Disse que a sigla tinha de estar atenta aos riscos, mesmo em períodos de calma.

Sinais para a economia

Para muitos, o congresso está sendo lido como o início de uma nova era política que pode estender o prazo de Xi Jinping no poder para além de 2022, quando em tese teria de se aposentar. Isso é um sinal importante para a economia.

Como o processo decisório na China é muito restrito, investidores e analistas do mundo todo estão sempre atentos aos menores sinais enviados pelo governo. Eles estão atrás das entrelinhas desse encontro. Até porque ele dá as direções do país para os próximos cinco anos.

Xi Jinping falou em abrir o mercado e o setor de serviços para atrair investimentos estrangeiros. Destacou o aprofundamento das reformas do regime de câmbio e do sistema financeiro. Tudo isso é música para o ouvido dos investidores. Resta saber como será feito.

Mudanças na elite no comando do partido

No dia 25 de outubro, quando acaba o encontro, cinco dos sete integrantes do Politburo serão substituídos. Os atuais atingiram a idade que os obriga a se aposentar. Ficam apenas Xi e Li Keqiang, o primeiro-ministro. Essa escolha é outro fator muito importante.

A nova composição do comitê deve indicar quem serão as forças mais poderosas do país e se serão pessoas mais próximas ainda de Xi. Há quem diga que ele pode fazer força para que Wang Qishan, que conduz a campanha anti-corrupção no país, permaneça na cadeira. A questão é que Wang está prestes a completar os 70 anos de idade que o obrigariam a se aposentar. Isso abriria um precedente para que o próprio Xi, hoje com 64 anos, fique exatamente onde está, embora complete 70 anos em 2022.

Expectativas

Esta é a reunião mais importante do Partido Comunista da China, que tem quase 90 milhões de integrantes, e é o maior do mundo. Ela acontece duas vezes a cada década. O encontro define as principais orientações políticas da China.

A expectativa é a de que o presidente Xi Jinping saia ainda mais fortalecido do congresso, que marca o fim do seu primeiro mandato de cinco anos e início do segundo. Os analistas não descartam mudanças que o permitam ficar ainda mais tempo do que o previsto no poder. Se isso acontecer, será o fim do limite de tempo criado para promover o que se chamou de liderança coletiva para evitar o surgimento de um novo Mao Tsé-Tung.

Isso também daria a Xi condições mais favoráveis para promover as prometidas reformas estruturais que permitirão ao país continuar crescendo em ritmo acelerado. Vale lembrar que o Banco Central chinês anunciou nessa semana que a China deve voltar a crescer a 7% no segundo semestre deste ano.

Fortalecimento de Xi Jinping

Xi Jinping já é considerado o homem mais poderoso do país, desde Mao Tsé Tung. Espera-se que a constituição chinesa receba uma emenda com “a nova visão e pensamento” do presidente para a governança. Não se sabe se o nome dele estará especificamente escrito no documento. De qualquer maneira, isso só aconteceu com Mao e com aquele que é considerado o pai das reformas Deng Xiaoping.

Medidas de segurança reforçadas

Há alguns meses, o governo se prepara para esta reunião. As ruas de Pequim estão cheias de voluntários com suas braçadeiras vermelhas. A segurança foi redobrada. Parece até que lojas online foram proibidas de vender facas nos próximos dias. Os controles da internet e mídias que possam influenciar os bons resultados do encontro também estão mais fortes.

Alguns hotéis estão há meses sem poder oferecer aos hóspedes canais estrangeiros como a BBC e a CNN. O acesso ao Whatsapp também tem sido incerto e analistas atribuem o fenômeno justamente à proximidade do congresso. Pela capital, há uma profusão de bandeiras da China hasteadas em mastros até de prédios residenciais e canteiros com flores.


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