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Mundo

Grupo Estado Islâmico perde Raqa, reduto extremista na Síria

media Civis deixam Raqa, ex-reduto do Grupo Estado Islâmico REUTERS/ Rodi Said

A cidade de Raqa, ex-capital do grupo extremista Estado Islâmico (EI) na Síria, foi completamente tomada nesta terça-feira (17) pela aliança de combatentes curdos e árabes apoiada pelos Estados Unidos.

A queda de Raqa, anunciada por um porta-voz das Forças Democráticas Sírias (FDS), representa uma grande derrota para o grupo, alvo das diversas ofensivas para expulsá-lo das regiões conquistadas a partir de 2014. A cidade era a capital do "califado" proclamado pelo líder Abu Bakr al-Bagdadi no mesmo ano.

Na manhã desta terça-feira (17), as forças curdo-árabes tomaram o hospital e o estádio municipal no centro da cidade, os dois últimos redutos onde dezenas de jihadistas estrangeiros estavam entrincheirados.

Raqa se tornou o símbolo das atrocidades cometidas pelo grupo extremista. Nesta cidade, foram planejados atentados contra vários países, sobretudo na Europa. Na segunda-feira (16) à noite, os combatentes anunciaram a "libertação total" do cruzamento de Al-Naïm, onde o EI realizava suas execuções quando controlava a cidade.

"Há semanas os jihadistas se retiraram, mas as Forças Democráticas Sírias não conseguiram controlá-lo antes em razão das muitas minas terrestres", disse o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). Nos últimos dias, em virtude de um acordo negociado pelos líderes locais e representantes tribais, os últimos civis que estavam presos na cidade puderam ser evacuados e os extremistas sírios foram autorizados a deixar a cidade.

Cerca de 275 jihadistas sírios e suas famílias foram evacuados. Não há informações, neste momento, se eles foram autorizados a ir para outras regiões ainda nas mãos do grupo EI. A coalizão internacional liderada por Washington reiterou em diversas ocasiões que os estrangeiros não seriam autorizados a deixar Raqa.

Fim do terror

"A última coisa que queremos é que os combatentes estrangeiros sejam libertados e possam retornar ao seu país de origem e causar mais terrorismo", assegurou, no domingo, o porta-voz da coalizão, o coronel americano Ryan Dillon. Há vários meses, a organização ultrarradical tem sofrido sucessivas derrotas na Síria e no Iraque, diante das ofensivas apoiadas pela Rússia ou pelos Estados Unidos.

Na província de Deir Ezzor (leste), vizinha de Raqa, os jihadistas também enfrentam duas ofensas distintas: por um lado, as forças do regime sírio, apoiadas pela aviação russa, do outro, as FDS, apoiadas pela coalizão internacional. As forças pró-regime conseguiram recuperar vastos territórios entre a capital provincial de Deir Ezzor e a cidade de Mayadin, na margem oriental do rio Eufrates, informou o OSDH nesta terça-feira.

"Não é uma região desértica, trata-se de localidades no rio Eufrates que foram redutos do EI", garantiu o diretor da OSDH, Rami Abdel Rahmane, à AFP. Os combates continuam em uma única localidade na área. Iniciada em 2011 pela repressão do governo de Bashar al-Assad a protestos pacíficos pedindo por democracia, o conflito na Síria tornou-se mais complexo com o envolvimento de países estrangeiros e grupos jihadistas em um território cada vez mais fragmentado. A guerra já causou mais de 330 mil mortes e milhões de deslocados e refugiados.

(Com informações da AFP)

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