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Mundo

Após três anos de terror, crianças voltam às aulas em Mossul

media Menina ergue bandeira branca enquanto Mossul é libertada pelo Exército iraquiano, em julho. Visa pour l'Image

Depois de três anos de afastamento forçado por causa da invasão dos jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI), o adolescente Ali Salem aguarda ansioso em uma escola de Mossul, para fazer uma prova de inglês. Ele saiu muito cedo do campo de refugiados internos de Haj Ali, a 60km. Enquanto espera, dá uma última olhada nas anotações de três anos atrás.

"Na noite de 10 de junho de 2014, soubemos que o grupo Estado Islâmico havia tomado a cidade. Era véspera da minha prova de matemática, mas as aulas foram interrompidas", lembra o jovem, diante do colégio Hikma, no oeste de Mossul. "Estou agora com 18 anos, e perdi três por culpa do EI. Fico feliz por termos retornado ao colégio e por poder fazer essas provas, porque elas irão definir a minha vida", assinala.

Diante da situação inédita dos 300 mil alunos da província de Niniveh, cuja capital é Mossul, as autoridades decidiram submeter os mais jovens a testes de coeficiente de inteligência, para determinar a série em que irão entrar, e exames de conhecimento para os estudantes do ensino médio.

 “Esqueci tudo”

No bairro de Mansur, perto de um prédio derrubado por um bombardeio aéreo, outro aluno aguarda para fazer a mesma prova de inglês. "Esqueci tudo. Consegui as fotocópias de apenas um capítulo, quando podem cair questões sobre todo o livro", lamenta Mahmud Abdel Nafaa, que tem a mesma idade que Ali.

Ele espera a abertura da escola Amal, enquanto empregados trabalham no reparo dos bueiros e da calçada, destruídos pelos bombardeios. "Estou muito feliz por retornar ao colégio, mas também ansioso, porque, se eu não passar, serei transferido para o horário noturno, que acontecem duas vezes por semana", diz o jovem, morador do bairro de Sumud, oeste de Mossul, cidade cortada pelo rio Tigre.

O sistema escolar iraquiano impõe aulas noturnas aos alunos cuja idade supera a que corresponde ao plano de estudos.

No oeste da cidade, devastada por combates que terminaram em 10 de julho, as provas antecedem o início do ano letivo, em novembro. No leste, onde a violência terminou seis meses antes, as aulas foram retomadas em outubro. O balanço é desolador: das 600 escolas de Mossul, apenas 210 estão em funcionamento no leste e 100 no oeste.

Colégios proibidos

Em seu escritório, o diretor-geral do Ministério da Educação para a província de Niniveh tem muito trabalho pela frente. As aulas foram retomadas parcialmente em maio e junho, quando ainda havia explosões e bombardeios no outro lado da cidade.

Sob o domínio do EI, os jihadistas se apropriaram de muitas escolas, onde ensinavam religião e técnicas de combate, e fecharam quase todas as demais.

O diretor da escola Zubayda, no leste de Mossul, teve que permanecer em casa por três anos. "Neste bairro de Daret al-Hamam, só uma escola ficou aberta", sob a supervisão dos jihadistas, lembra Mohamed Ismail. "Alguns dos meus colegas trabalharam com eles porque concordavam com suas ideias, ou por imposição. Os alunos eram todos filhos de jihadistas franceses, russos, chechenos", afirma.

Enquanto as crianças se divertem no pátio da escola Zeitun, Yusef Razwan, 6 anos, folheia seu primeiro livro de leitura. "Brincar em casa é chato. Prefiro estar aqui", conta, com um sorriso.

Reportagem AFP

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